Doutorado: Elaboração de um modelo para formação planetária dentro do código magneto hidrodinâmico FARGO3D

Data: 
26/09/2018 - 13:00
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de tese de doutorado
Aluno: Luiz Alberto de Paula
Programa: Astronomia
Título: Elaboração de um modelo para formação planetária dentro do código magneto hidrodinâmico FARGO3D

Comissão julgadora
1) Profa. Dra. Tatiana Alexandrovna Michtchenko – IAG/USP
2) Prof. Dr. Eduardo Janot Pacheco – IAG/USP
3) Dr. Pablo Benitez Llambay -pós-doutorando- Niels Bohr Institute/Dinamarca - por videoconferência
4) Prof. Dr. Octavio Miguel Guilera – Instituto Astrofisico de La Plata/Argentina - por videoconferência
5) Prof. Dr. Fernando Virgilio Roig –Observatório Nacional/Rio de Janeiro-RJ - por videoconferência
6) Dr. André Izidoro Ferreira da Costa –pós-doutorando - UNESP/Guaratingueta-SP - por videoconferência
 
 
Resumo
De acordo com o modelo sequencial de acreção, os planetas gigantes se formam através de um núcleo sólido a partir da captura de planetesimais. Esse núcleo, atingindo uma determinada massa, é capaz de capturar o gás residual do disco protoplanetário que constituirá o seu envelope, formando, então, um planeta gigante (Mizuno, 1980; Pollack et al.,1996). A parte crítica desse cenário está no ajuste dos tempos de formação do núcleo sólido, de captura do gás e dos processos de migração planetária com o tempo de vida do disco (Mordasini et al., 2010). Resultados numéricos mostram que o tempo necessário para a formação de um planeta gigante é muito alto em relação ao tempo de vida do disco, e, que a migração planetária pode ser muito rápida, levando os planetas a caírem na estrela antes de sua completa formação.
Em geral, os trabalhos sobre formação planetária tratam a migração do planeta utilizando modelos analíticos (Guilera et al., 2010; Fortier et al., 2013). No entanto, diversos efeitos associados à termodinâmica do disco de gás fazem com que esses modelos analíticos sejam limitados para lidar com a migração planetária (Paardekooper et al., 2010).
De fato, para lidar com a migração planetária de tipo I, esses resultados analíticos se utilizam de discos de gás fisicamente simples e da linearização das equações da hidrodinâmica (Meyer-Vernet e Sicardy, 1987; Tanaka et al., 2002). Para a migração de tipo II, a situação é ainda mais complicada, já que a alta massa do planeta cria um gap em torno da órbita planetária, que impõe uma quebra da linearidade, impossibilitando uma base analítica confiável (Bryden e Lin, 1999).
Assim, os resultados numéricos obtidos a partir de simuladores hidrodinâmicos, como o FARGO3D (Masset, 2000; Ben__tez-Llambay e Masset, 2016), ZEUS (Stone e Norman, 1992), PLUTO (Mignone et al., 2012), entre outros, são essenciais para uma análise mais robusta dos processos de migração planetária dentro de uma gama maior de condições físicas para o disco de gás.
No entanto, os simuladores hidrodinâmicos, em geral, não possuem um modelo para formação planetária. Em alguns deles, modelos para acreção de gás são construídos com base no regime de runaway dessa acreção (Kley, 1999). Todavia, a acreção de sólidos e acreção de gás para planetas de baixa massa, na maior parte dos casos, não são levadas em consideração. Boa parte disso se deve ao fato de os modelos de formação planetária usarem simulações N-corpos, que, aliados ao código hidrodinâmico, seriam altamente custosos computacionalmente. Assim, torna-se necessário o uso de modelos alternativos para a formação planetária, que sejam capazes de reproduzir os resultados de uma simulação N-corpos de forma confiável.
Construir um modelo completo que considera todos esses processos é uma tarefa árdua e ao mesmo tempo desafiadora. Assim, o presente projeto propõe a implementação de um cenário fisicamente plausível para a formação planetária dentro do código magneto hidrodinâmico FARGO3D.
Para modelar a acreção de planetesimais, usamos como base os trabalhos de Guilera et al. (2010) e Fortier et al. (2013), que utilizam um modelo estatístico para determinar a taxa de acreção de planetesimais (Inaba et al., 2001). Esse modelo será implementado pela primeira vez no FARGO3D.
Para a acreção de gás, iremos modicar o modelo de Kley (1999) incorporado no FARGO antecessor. Essas modificações visam incorporar o raio de Bondi (Bondi, 1952) para determinar a zona de acreção, o efeito da altura do disco e a mudança na taxa de acreção de gás de acordo com a massa do planeta. As modicações implementadas no modelo de acreção de gás foram realizadas com base nos trabalhos de Durmann e Kley (2015), Russell (2011) e Fortier et al. (2013). A adaptação no código de acreção de gás para levar em conta uma faixa maior de massas planetárias, foi realizada utilizando a escala de tempo de Kelvin-Helmoltz. Para isso, seguimos o trabalho de Ikoma et al. (2000) e Ida e Lin (2004b).
Para testar o modelo de formação planetária no FARGO3D, a simulação padrão para o disco de gás utilizada nesta tese adota um disco bidimensional fino. A razão de aspecto do disco será de h = 0:05 com um fator de curvatura de _ = 0:0. Esses valores são consistentes com a teoria de discos finos e são usados nas maioria das simulações que envolvem discos de acreção (Bell et al., 1997; Frank et al., 2002). O disco _e assumido localmente isotérmico e a viscosidade do disco é dirigida pela prescrição de Shakura e Sunyaev (1973), com α= 0:03.
Com o modelo de formação planetária implementado, foi possível estudar simultaneamente a formação e a migração do planeta dentro do simulador hidrodinâmico. Isto é, analisamos a escala de tempo envolvida no processo de migração em conjunto com a escala de tempo da formação planetária para vários parâmetros físicos envolvidos no modelo. A análise revelou, para nosso modelo de disco, que a escala de crescimento do planeta conseguiu se manter mais baixa que a escala de migração, mesmo quando o planeta atravessou a linha de gelo, local onde há menor quantidade de material disponível para a acreção de sólidos. Assim, para planetesimais pequenos (raio 0.1 km), foi possível obter planetas com massas próximas de 5 massas de Júpiter em regiões entre 0.5 e 1 ua, num tempo próximo do tempo de vida do disco.
Vale ressaltar que esta tese conta com uma descrição detalhada de como implementar o modelo dentro do FARGO3D, incluindo um apêndice com o programa comentado linha a linha. O intuito é que o leitor possa usar esse modelo de formação e migração planetáriapara obter novos resultados e vínculos sobre a formação de sistemas exoplanetários ou do nosso Sistema Solar, assim como usar em qualquer outra aplicação que julgar necessária.
 
Palavras chaves: Migração planetária – Formação planetária