Doutorado: Impacto dos rios e da inundação sazonal no clima local da região central da Amazônia

Data: 
06/10/2017 - 09:00
Local: 
Auditório 1 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de tese de doutorado
Aluno: Mercel José dos Santos
Programa: Meteorologia
Título: Impacto dos rios e da inundação sazonal no clima local da região central da Amazônia

Comissão julgadora
1) Profa. Dra. Maria Assunção Faus da Silva Dias - IAG/USP
2) Prof. Dr. Edmilson Dias de Freitas –IAG/USP
3) Prof. Dr. David Michael Medvigy - Universidade de Notre Dame/EUA
4) Prof. Dr. Renato Ramos da Silva - UFSC/Florianópolis-SC 
5) Profa. Dra. Regina Célia dos Santos Alvalá - CEMADEN/São José dos Campos-SP
 
 
Resumo
O cenário da Amazônia central promove desenvolvimento de circulações locais haja visto que o mesmo é composto por superfícies que possuem capacidades térmicas diferentes (floresta, corpos d’água e a área urbana de Manaus). A inundação sazonal modifica a paisagem local e altera as condições hídricas do solo. Estudos sobre as circulações locais da Amazônia central e sua relação com as terras alagadas são escassos. Sendo assim, este trabalho investiga o papel dos rios e da inundação sazonal no desenvolvimento de circulações locais e na ilha de calor da cidade de Manaus. Os padrões locais de vento e umidade foram analisados com os dados das estações meteorológicas dos aeroportos de Manaus, enquanto que a variabilidade espacial e temporal da precipitação local foi analisada com dados estimados por satélite (TRMM e CMORPH). Os dados observacionais mostram que ventos dos rios para a cidade são comumente observados durante o dia e transportam ar mais úmido. No período noturno e no início da manhã, ventos que sopram da cidade de Manaus para os rios são frequentes e transportam ar mais secos. Esse padrão de vento geralmente verificado na região central da Amazônia evidencia as  circulações de brisas fluviais. As estimativas por satélite mostram que durante o dia os máximos de precipitação ocorrem sobre a superfície da terra, enquanto que mínimos valores são observados sobre os rios. No período noturno, a precipitação é ligeiramente mais elevada sobre os rios quando comparada com a superfície terrestre. Os processos físicos envolvidos na formação das brisas fluviais foram analisados em um estudo numérico de um caso ocorrido em Julho de 2011. Este estudo de caso também permitiu  analisar o impacto da inundação sazonal nas brisas fluviais. Os resultados deste estudo mostram que as brisas fluviais na Amazônia central desenvolvem-se devido ao distinto particionamento de energia apresentado pelas superfícies aquáticas e terrestres que promovem um marcante gradiente horizontal de temperatura. A inundação sazonal altera o particionamento de energia das superfícies, provocando diminuição da temperatura do ar na região dos rios e consequentemente intensificação das brisas fluviais durante o dia. As brisas fluviais quando intensificadas propagam-se mais rapidamente sobre a superfície terrestre, perduram por mais tempo e promovem movimentos verticais mais intensos que alteram o transporte vertical de calor e massa. Experimentos numéricos também foram conduzidos para verificar a influência dos rios e da inundação sazonal no clima local de Manaus. Os resultados mostram que os rios promovem desenvolvimento de brisas fluviais que advectam ar mais frio sobre a área urbana de Manaus reduzindo a intensidade da ilha de calor no período vespertino. Esse efeito é mais intenso nos experimentos numéricos nos quais a inundação sazonal é adicionada uma vez que a mesma intensifica as brisas fluviais.
Palavras chaves: Brisa fluvial, ilha de calor urbana, inundação sazonal, rios, OLAM.