Mestrado: Mudanças nas chuvas mensais extremas no Sudeste brasileiro durante o último milênio

Data: 
15/03/2017 - 14:00
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de dissertação de mestrado
Aluno: Igor Stivanelli Custódio
Programa: Meteorologia
Título: Mudanças nas chuvas mensais extremas no Sudeste brasileiro durante o último milênio

Comissão julgadora
1) Prof. Dr. Pedro Leite da Silva Dias
2) Profa. Dra. Ilana Elazari Klein Coaracy Wainer - IO/USP
3) Prof. Dr. Gilvan Sampaio de Oliveira - INPE/Cachoeira Paulista-SP
 
 
Resumo
A variabilidade climática natural é um importante fator a ser entendido para explorar o potencial preditivo do clima e avaliar o papel da forçante antropogênica. Registros paleoclimáticos fornecem indícios da variabilidade do passado e cobrem um período muito maior do que o da era instrumental. O objetivo geral deste estudo é explorar produtos das simulações climáticas do Último Milênio – LM (entre os anos 850 e 1849), no contexto do programa PMIP3, para avaliar a variabilidade dos extremos de precipitação mensal com ênfase na região Sudeste do Brasil e verificar, em linhas gerais, a coerência com a estimativa via proxies paleoclimáticos. São explorados aspectos de grande escala associados com o Sistema de Monção da América do Sul (SMAS) e com a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), assim como suas relações com indicadores da variabilidade climática de baixa frequência. Utilizou-se o Índice de Larga Escala da Monção da América do Sul (LISAM) aplicado no conjunto médio ponderado (CMP) das simulações dos modelos climáticos CCSM4-M, GISS-E2-R, IPSL-CM5A-LR, MIROC-ESM, MPI-ESM-P e MRI-ESM. O CMP foi elaborado através da ponderação dos modelos, em cada ponto de grade, pelo inverso da raiz do erro médio quadrático, após a remoção do viés, estimado com base na diferença entre as simulações do clima presente (1982-2005) e observações de precipitação. Os modelos do CMIP tendem a produzir uma banda dupla da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) no oceano Atlântico, o que ocasiona uma superestimativa dos acumulados de precipitação na região Nordeste do Brasil durante o verão. Apesar disso, os modelos simulam o núcleo principal de precipitação do SMAS e da ZCAS, assim como as diferenças entre o verão e inverno e o deslocamento para norte da banda de nebulosidade da ZCIT. Para o período do LM, a precipitação do CMP durante a Anomalia Medieval do Clima (AMC) e Pequena Idade do Gelo (LIA), é coerente com os proxies paleoclimáticos na região Centro-Oeste. Na região Nordeste, o período AMC (LIA) foi caracterizado pela diminuição (aumento) das chuvas nas estações de verão e outono. No SE, a LIA (AMC) foi mais chuvosa durante os meses de primavera (verão e outono). Com relação ao LISAM tem-se que os padrões relacionados aos dois primeiros modos (SMAS e a ZCAS, respectivamente) durante o LM foram semelhantes àqueles encontrados no período histórico. As variabilidades temporais das séries dos coeficientes de expansão dos modos do LISAM mostram períodos de variação associados à variabilidade dos ciclos e manchas solares, assim como oscilações internas do sistema. A variabilidade interna do LISAM e ZCAS apresenta indícios de conexões com o oceano Atlântico Tropical Norte e Sul e com o oceano Pacífico (mais evidente durante o LIA).  Os indicadores de extremos de precipitação no Sudeste também estão conectados com anomalias da temperatura superficial do Atlântico e Pacífico. No entanto, a variância explicada pelos índices climáticos é pequena e sugere que os extremos também são influenciados por forçantes externas, como as variações dos ciclos solares e erupções vulcânicas, assim como ocorre para o LISAM e ZCAS.
 
Palavras-chave: PALEOCLIMATOLOGIA; LISAM; VARIABILIDADE.