Mestrado: A evolução rotacional de gêmeas solares e a influência de companheiras binárias de baixa massa

Data: 
31/07/2017 - 10:30
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de dissertação de mestrado
Aluno: Leonardo Augusto Gonçalves dos Santos
Programa: Astronomia
Título: A evolução rotacional de gêmeas solares e a influência de companheiras binárias de baixa massa

Comissão julgadora
1) Prof. Dr. Jorge Luis Melendez Moreno –IAG/USP
2) Profa. Dra. Beatriz Leonor Silveira Barbuy –IAG/USP
3) Prof. Dr. José Dias do Nascimento Júnior - UFRN/Natal-RN
4) Profa. Dra. Raphaëlle Dawn Haywood - Harvard/EUA
 
 
Resumo
O programa The Solar Twin Planet Search é um esforço sem precedentes na procura de planetas extra-solares em mais de 70 estrelas extremamente similares ao Sol. Ao longo desse programa, centenas de espectros ópticos de alta qualidade foram obtidos com o espectrógrafo HARPS, que está instalado no telescópio de 3,6 m do Observatório de La Silla. Além da busca de exoplanetas, estes dados são úteis para estudar as propriedades fı́sicas de estrelas como o Sol. Eu estou interessado em verificar se o Sol possui uma rotação regular para sua idade entre estrelas estritamente similares a ele, como que a rotação de gêmeas solares evolui com o tempo e se a rotação dessas estrelas é influenciada pela presença de companheiras estelares.
Conclusões anteriores na regularidade da rotação solar são conflitantes, e esta é a primeira vez que uma amostra grande de gêmeas solares com dados espectroscópicos de alta qualidade é usada para esclarecer essa questão. Meus resultados sugerem que o Sol de fato rota regularmente para sua idade, o que favorece o uso da rotação solar para calibrar a girocronologia – a estimativa de idades estelares a partir de sua rotação. No entanto, meus resultados também implicam em um processo de evolução rotacional que satura depois da idade solar, constituindo um desvio da amplamente usada relação de Skumanich e apresentando um desafio para a girocronologia. 
Eu identifiquei 18 sistemas binários na amostra de gêmeas solares, das quais apenas três mostram rotações elevadas para suas idades. Eu estimei os parâmetros orbitais das binárias a partir da variação de suas velocidades radiais, e os resultados mostram que suas companheiras espectroscópicas possuem perı́odos orbitais variando de alguns poucos até muitos anos. Eu concluo que a presença de companheiras do tipo anãs vermelhas ou marrons em perı́odos orbitais moderados não influenciam a evolução rotacional desses sistemas. As peculiaridades de HIP 19911 e HIP 103983 podem ser explicadas por contaminação espectral de sua companheira, e a alta rotação de HIP 67620 continua não completamente explicada.