Estação Meteorológica do IAG-USP lança Boletim Climatológico Anual de 2016

O Boletim Climatológico Anual da Estação Meteorológica do IAG-USP do ano de 2016 já está disponível para download. Para acessá-lo diretamente: www.estacao.iag.usp.br/Boletins/2016.pdf
 
Este documento é publicado anualmente desde 1997. As edições dos anos anteriores podem ser encontradas também no site da Estação Meteorológica. 
 
O Boletim Climatológico Anual da Estação Meteorológica do IAG-USP apresenta informações detalhadas das observações temperatura, precipitação, umidade relativa, vento, fenômenos meteorológicos (garoa, granizo, geada, trovoada, orvalho e nevoeiro) e radiação solar registradas ao longo de 2016. No documento, as observações de 2016 são comparadas com as de 2014 e com a média e com as normais climatológicas. 
 
Anualmente, junto com o Boletim Climatológico, atualizamos a tabela de Recordes Meteorológicos da Estação Meteorológica do IAG-USP. Em seguida, a tabela com esses recordes e os principais destaques de 2016.
 

Recorde

Valor

Data

Maior temperatura

37,2°C

17 de Outubro de 2014

Menor temperatura

-1,2°C

6 de Julho de 1942

Mês mais chuvoso

653,2mm

Janeiro de 2010

Mês menos chuvoso

0,4mm

Julho de 2008

Maior acumulação de precipitação em 24h

 

145,9mm

 

6 de Março de 1966

Ano mais chuvoso

2236,0mm

1983

Menor umidade relativa

12%

23 de Novembro 1968

Maior rajada de vento registrada

101km/h

24 de Novembro de 1973

Mês com mais dias com trovoadas

26 ocorrências

Janeiro/2010

Ano com mais dias com trovoadas

114 ocorrências

1976

 
Em 2016 não registramos nenhum recorde absoluto, portanto a tabela anterior mantém-se inalterada com relação ao Boletim Climatológico Anual de 2015
 
Com exceção de junho, os demais meses de 2016 apresentaram temperaturas médias mensais maiores que a Normal (1933-1960), a Normal (1961-1990) e a Média climatológica (1933-2016). Os meses de destaque com maior temperatura média com relação a suas respectivas médias são: fevereiro (8,2% acima da média), abril (17,7% acima da média) e dezembro (7,5% acima da média). O ano como um todo ficou 5,0% acima da média climatológica. Abril/2016 foi o mês de abril com maior temperatura média desde 1933. Foi registrada uma temperatura média de 22,6°C e o recorde anterior era 22,2°C, em abril/2002.
 
Com relação às temperaturas médias máximas para o ano de 2016, com exceção a junho, os demais meses apresentaram médias máximas mensais acima da média climatológica. Destaque para os meses de fevereiro (8,3% acima da média), abril (20,1% acima da média) e julho (10,0% acima da média). O ano como um todo foi 8,0% acima da média.  Abril/2016 também foi o mês de abril com maior temperatura média máxima desde o início das observações desta variável,  com registro de temperatura média máxima de 30,0°C superando o recorde anterior que era 28,8°C, de abril/2002. Em 09 de abril de 2016, observou-se temperatura máxima de 34,1°C, maior temperatura já registrada em um mês de abril desde 1933 (o recorde anterior era 33,3°C, observado em 03 de abril de 1996). Com relação à temperatura mínima, com exceção de junho, os valores médios para todos os meses de 2016 ficaram acima da média climatológica. Destaque para os meses de abril (14,7% acima da média climatológica) e outubro (9,9% acima da média climatológica). A menor temperatura registrada em 2016 foi 1,3°C em 13/06/2016, porém cabe também destacar os dias anteriores: 10 de junho de 2016, com 3,8°C; 11 de junho de 2016, com 2,6°C e 12 de junho de 2016, com 3,0°C. 
 
Em São Paulo, o ano de 2016 foi considerado chuvoso, pois apresentou chuva acima da média climatológica. O total de chuva acumulada foi 1539,2mm, 9% acima da média climatológica de 1409,5mm, calculada de 1933 a 2016. Foi o 24° ano mais chuvoso desde 1933. O ano mais chuvoso foi 1983, com 2236,0mm total de precipitação anual e o ano mais seco foi 1933, com apenas 849,8mm de precipitação acumulada.
 
Dentre os meses chuvosos de 2016, destacaram-se: fevereiro (330,1mm, 7° mês de fevereiro mais chuvoso da série), maio (151,5mm, 7° mês de maio mais chuvoso da série) e junho (179,6mm, 6° mês de junho mais chuvoso da série). A maior precipitação diária em 2016: 74,2mm, no dia 15 de fevereiro. O maior acumulado horário em 2016: 45,1mm, também no dia 15 de fevereiro, entre 14h-15h. A maior sequência de dias com chuva em 2016: 21 dias (de 15 de fevereiro a 7 de março) e a maior sequência de dias sem chuva em 2016: 27 dias (de 31 de março a 26 de abril).
 
No ano de 2016 não foi observado nenhum recorde de precipitação diária. Entretanto, em 2016, registramos o recorde de precipitação mínima mensal, no mês de abril, com apenas 2,8mm (o recorde anterior era de abril/2000, com 6,4mm).  Foram 200 dias com precipitação ao longo de 2016, acima da média climatológica que é de 188 dias. O ano de 2016 foi o 18° ano com mais dias de chuva.
 
Considerando a umidade relativa média anual, o ano de 2016 ficou abaixo da média climatológica (a média de 2016 é 80,0% e a média climatológica é 81,2%).  Comparativamente, o ano de 2016 apresentou umidade relativa média menor que o de 2015 (80,0% e 80,8%, respectivamente). Os meses de março, maio, junho e agosto ficaram acima da média climatológica. Com relação às médias mínimas mensais, verifica-se que os meses de março, maio, agosto e novembro apresentaram umidade relativa média mínima acima da média climatológica.  A menor umidade relativa registrada em 2016 foi 20%, observada em 14 de agosto. Em 2016, foram 17 dias com baixa umidade relativa (inferior a 30%). A média é de 18 dias com esta característica. 
 
Com relação à velocidade média do vento, verifica-se que a média climatológica mensal (1957-2016) é mais alta entre os meses de setembro a dezembro. A direção do vento na EM é predominantemente de SE e SSE. Em 2016, rajada igual ou superior a 15 m/s (54 km/h) foi registrada em apenas uma ocasião: em 20 de dezembro, 15 m/s, por volta de 15h40min. A maior rajada registrada na EM foi de 28 m/s (101 km/h) e ocorreu no dia 24 de março de 1973. Levando em consideração a direção das rajadas máximas de vento em toda a série, tem-se que a direção predominante das rajadas máximas é de NW.
 
Durante o ano de 2016 foram registrados 128 dias com ocorrência de garoa, acima da média climatológica que é de 90 dias. O ano com maior número de dias com garoa foi 2004, com 147 dias. Como destaque, temos janeiro, fevereiro, março, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro que estiveram acima da média climatológica.
 
Em 2016 foram registrados 175 dias com orvalho. A média climatológica é de 139 dias. O ano com maior quantidade de dias com orvalho foi 2001, com 226 dias, de acordo os registros da EM-IAG. A média climatológica indica que o período em que costumam ocorrer mais dias com orvalho é entre os meses de abril e agosto.
 
A quantidade de dias com nevoeiro em 2016 foi de 42 dias. A média climatológica é de 117 dias. O ano com mais dias em que este fenômeno foi registrado foi 1977, com 212 dias. Todos os meses de 2016 tiveram menos dias com nevoeiro do que a média climatológica. Junho foi o mês com mais dias de nevoeiro: foram 11 dias com o fenômeno, 4 dias a menos que a média climatológica do mês de junho.
 
Foram registrados 81 dias com trovoadas ao longo de 2016, um pouco acima da média climatológica que é de 80 dias. O ano com maior ocorrência de trovoadas desde o início dos registros dessa variável (1958) foi 1976, com 114 dias. Os meses de março, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2016 ficaram acima de suas respectivas médias climatológicas. 
Em 2016, foram registrados 2 dias com a ocorrência de granizo: no dia 5 de fevereiro e no dia 20 de dezembro. Analisando a série desde 1958, verifica-se que além de existir muita variabilidade, não há aumento significativo no número de dias com granizo (de 1958 até 2016, houve um aumento inferior a 1 dia).
 
A geada não é um fenômeno comum na EM, já que a nossa localização geográfica e o crescimento urbano não propiciam sua formação. Em 2016, foram registrados 3 dias com o fenômeno: 11, 12 e 13 de junho. De 1933 até 2016, foram registrados 73 episódios de geada, destacando-se os anos de 1979 e 1994, cada um com 5 dias de ocorrência do fenômeno (esse valor foi corrigido com relação aos boletins anteriores, como o Boletim Climatológico de 2014) que afirmava que o ano com maior ocorrência de dias com geada havia sido 1958, com 16 dias de ocorrência. Havia um erro no banco de dados, que foi verificado e corrigido. Além disso, foi feita uma análise da série histórica de 1933-1957, contabilizando a ocorrência de geada também nesse intervalo.). De 2002 a 2009, nenhuma ocorrência foi registrada, voltando a ser observada em 2010, em um único dia.  Em 2011, foram 2 dias com este fenômeno.
 
Os meses de fevereiro, abril, julho, setembro e outubro tiveram total de irradiação solar global acima da média climatológica. Com relação aos máximos e mínimos mensais de irradiação solar global, não houve nenhum recorde em 2016. O recorde mais recente é um recorde de maior irradiação solar global, registrado em janeiro de 2014 (732,5MJ/m2). Cabe ressaltar que tivemos 5 dias com ausência de registro do actinógrafo, por problemas técnicos, o que implicou em ausência de registro de irradiação solar total nos dias 13 de maio, 23, 25, 27 e 28 de dezembro.
Os meses de março, abril, julho, setembro, outubro e dezembro de 2016 tiveram insolação acima da média climatológica; os demais meses ficaram abaixo ou muito próximos da média climatológica.
 
Com relação aos recordes de mínimos e máximos mensais, registramos um recorde de máximo mensal de horas de brilho solar em 2016. Trata-se de abril/2016, que apresentou recorde máximo de total mensal de horas de brilho solar (239,5h, o recorde anterior era 230,5h, em abril/2001).  Foram em média 84 dias ensolarados em 2016 (a média climatológica é de 79 dias).
 
 
Anualmente, escolhemos uma das fotografias tiradas na Estação Meteorológica como capa do boletim. A capa do Boletim Climatológico Anual de 2016 é uma imagem feita a partir do quadrante norte, em um dia de ótima visibilidade. É possível inclusive ver a Serra da Cantareira. A imagem foi feita em 21 de novembro de 2016, por volta das 17h40min.
 
No Boletim também destacamos as principais atividades realizadas na Estação Meteorológica do IAG-USP ou que contaram com a colaboração e participação dos funcionários: minicursos, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, visitas escolares, etc. Também há um capítulo descrevendo a atuação da Estação Meteorológica nas Redes Sociais, principalmente na mais popular delas (Facebook), onde temos uma fanpage.
 
Texto de Samantha N.S. Martins Almeida, meteorologista da Estação Meteorológica do IAG.