Diretoria do IAG: discurso de posse

Discurso de Posse para a Diretoria do IAG/2017:
 
Pedro Leite da Silva Dias e Ricardo Trindade
 
Em meu nome e do Ricardo, iniciamos nosso discurso cumprimentando o Magnífico Reitor, Prof. Marco Antônio Zago, o Vice-Reitor, Prof. Vahan Agopyan, o Secretário Geral da USP, Prof. Ignacio Poveda Velasco, e o Prof. Laerte Sodré Jr., Diretor do IAG. Também agradecemos aos professores, funcionários, alunos e amigos e familiares que vieram a esta cerimônia. Um especial agradecimento aos membros dos órgãos colegiados no IAG que nos indicaram para a Direção do IAG. E, finalmente, aos ex-diretores do IAG que nos apoiaram e passaram suas experiências e visões sobre a instituição.
 
O IAG tem décadas de protagonismo e de experiência na evolução do conhecimento nas suas áreas de atuação, a Astronomia, a Geofísica e as Ciências Atmosféricas. Fazer Ciência de nível internacional e de impacto sempre esteve no foco da atenção do IAG. Basta analisar os dados da produtividade científica institucional, incluindo número de citações e participação proativa da Unidade em grandes programas nacionais e internacionais, em todas as suas áreas de atuação. O histórico de nossos egressos demonstra claramente que o Ensino também é de alta qualidade.  E o IAG, em todas as suas áreas de atividade, mantém intensa atuação nas áreas de Extensão. Muitos vêm no IAG três áreas completamente distintas. Talvez fosse a realidade há muito tempo, mas vem mudando e rapidamente.  Essas 3 áreas, Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas têm elos metodológicos comuns e bases físicas comuns que estão sendo exploradas nos últimos anos e levando a produtos científicos inovadores. Tudo o que o IAG alcançou também não teria sido possível se não fosse a alta qualidade e a devoção de seus funcionários de apoio acadêmico e dos técnicos de nível superior que apoiam os laboratórios nas três áreas de atuação, de notável competência. Evidentemente, o IAG não estaria na posição de destaque nacional e internacional sem a efetiva parceria com outros institutos da USP e sem o enorme apoio que tivemos por parte da Reitoria.
 
Manter a liderança adquirida pelo IAG é um grande desafio num mundo em rápido desenvolvimento científico e tecnológico. A iniciativa que gerou uma discussão do futuro do IAG, denominada IAG2020 fornece diretrizes fundamentais para o direcionamento das atividades da instituição nos próximos anos e nos comprometemos a segui-las. Entretanto, neste mundo em rápidas mudanças, cabem algumas considerações mais específicas sobre o futuro:
  • O mundo digital, a “internet das coisas”, a conectividade global, a acessibilidade à informação e as significativas mudanças no mercado de trabalho ocorridas na última década alteraram a disposição e o interesse de alunos recém entrados na graduação e na pós-graduação.  Temos que nos adaptar e atuar de forma proativa para motivar os alunos e aproveitar as oportunidades que essa realidade digital nos propicia. 
  •  A interdisciplinaridade traz novos desafios e incertezas aos grupos de pesquisa, mas abre novas oportunidades. 
  • Os percalços causados por instabilidades econômicas e mudanças de prioridades no governo caracterizam o ambiente em que vivemos. Temos que exercitar muita criatividade para manter o ritmo e aproveitar a oportunidade gerada pelas crises econômicas para promover mudanças saudáveis.
Formar a visão de futuro do IAG, dado a rápida evolução desse mundo no qual vivemos e executá-la, é, seguramente, um grande desafio que precisa ser vencido para que a instituição possa evoluir para um novo patamar de excelência. É uma questão fundamental que precisa ser resolvida sob a ótica dos requisitos da sociedade (o olhar para fora de nossos “muros”), a visão interna sobre o nosso papel e as diretrizes fundamentais da Universidade de São Paulo. As lideranças do IAG devem se esforçar para propor ações, ouvir as necessidades da sociedade através dos órgãos governamentais, das sociedades científicas e tecnológicas, de seus pares e de outras representações da sociedade e sempre interagindo com os tomadores de decisão e formuladores de políticas públicas. 
A visão de futuro do IAG expressa os seguintes aspectos:
  • Ensino: novos paradigmas de ensino são urgentes. Não basta repetir métodos usados até hoje. É preciso inovar. Os programas curriculares dos bacharelados devem ser mais flexíveis, de modo a incorporarem de forma mais dinâmica as mudanças necessárias, face o cenário externo. Disciplinas como: Probabilidade e Estatística, Computação Massivamente Paralela, Métodos Matemáticos, Modelagem Numérica, Modelagem Baseada em Dados, Dinâmica de Fluidos Geofísicos, Teoria da Estimação, Instrumentação Eletrônica, precisam de um olhar mais integrado por parte dos três departamentos do IAG e de mais atividades do tipo “aprender fazendo”. É preciso flexibilizar os programas de graduação para viabilizar a formação com “ênfases” ou “especialidades” em temas multidisciplinares.  Algumas discussões já estão em andamento com o IME e com o IEE.
  • Pesquisa: áreas interdisciplinares como Paleoclimas, Tempo e Clima Espacial, Mudanças Climáticas e Instrumentação Avançada devem ser vistas como uma oportunidade de integração de competências nos três departamentos e pontuar a renovação/expansão do corpo docente. A coordenação de diversos projetos nacionais e internacionais de grande envergadura, um aspecto que destaca o IAG, deve ser mantida e estimulada. Projetos estruturantes para a instituição devem ser incentivados, visando o fortalecimento da infraestrutura física, computacional e laboratorial e buscando a otimização dos custos operacionais através do compartilhamento de funções entre as várias áreas de atuação do instituto e também com outros institutos da USP com os quais o IAG tem forte afinidade (exemplo:  os institutos do chamado “Baixo-Matão”);
  • Extensão: O IAG tem inúmeras competências que podem ser muito úteis fora dos “muros” da Universidade, com impacto em setores estratégicos da sociedade. É preciso, portanto, facilitar uma maior integração com o setor produtivo, com as agências governamentais e com outros setores da sociedade, ampliando a visibilidade do IAG e demonstrando porque a universidade sempre foi e continuará a ser fundamental para o futuro de nosso País. 
De forma mais específica, deve-se cada vez mais fortalecer a instituição através das seguintes atividades/ações: 
  • Contínua busca de oportunidades para aplicação das áreas de competência científica do IAG além de zelar pelo fortalecimento do conhecimento básico;
  • Manter e intensificar o programa de visitantes e pós-doutoramento, apoiada em pesquisa de alta qualidade e na infraestrutura laboratorial para colocar o IAG em posição ainda mais atrativa no cenário nacional e internacional; 
  • Ampliar e incentivar o programa de visitas/cursos de especialização por parte dos técnicos especializados do IAG a instituições nacionais e estrangeiras e também para o pessoal de apoio administrativo e acadêmico; é preciso valorizar o trabalho dos funcionários (apoio acadêmico e técnicos especializados) e motivá-los a fazerem cursos de treinamento e engajarem-se em programas de treinamento dos novos funcionários – algo semelhante aos programas de “aconselhamento” (mentoring) comumente encontrados em organizações estrangeiras e empresas;
  • Fortalecer os laços comuns, para compartilhamento de competências acadêmicas e administrativas e de infraestrutura, com unidades da USP afins ao IAG, como o Instituto de Física, Instituto Oceanográfico, Instituto de Geociências, Instituto de Matemática e Estatística, Instituto de Química, Instituto de Energia e Ambiente, Instituto de Física de São Carlos, Instituto de Ciências Matemáticas e Computação de São Carlos, Escola de Ciências, Artes e Humanidades, Faculdade de Saúde Pública e outras;
  • Buscar novas parcerias institucionais no exterior visando a implantação de programas de graduação e pós-graduação com dupla/múltipla titulação;
  • Manter estreito contato com as agências de fomento, particularmente com a FAPESP, no sentido de acompanhar ações dessas instituições e influir na formatação de novas iniciativas. Na mesma linha, atuar em sintonia com a política da USP no que se refere aos contatos com o Poder Legislativo, particularmente através das comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação e com os órgãos de controle.
  • Promover avaliações frequentes do Plano Diretor institucional visando sua implementação em bases sólidas e implementando as devidas adequações em função das disponibilidades reais e sempre em forte articulação com a Comissão Permanente de Avaliação da USP. 
  • Contribuir para maior integração do IAG com o setor produtivo provendo a “Inovação”, através da identificação de projetos de interesse nacional e de fortalecimento da qualidade produtiva do setor empresarial;
  • Promover atualização dos programas curriculares acadêmicos, tornando-os mais flexíveis e adequados às novas demandas da sociedade, bem como incentivar o uso de tecnologias modernas em ensino, inclusive e-learning e o desenvolvimento de aplicativos digitais para ensino; 
  • Busca de recursos para fortalecimento da estrutura laboratorial de apoio à pesquisa e docência que possa efetivamente atender as demandas atuais e as que deverão ocorrer no futuro próximo;
  • Articulação de soluções integradas no IAG para a gestão de grandes massas de dados: processos de busca, organização, extração e visualização, identificação de padrões através de técnicas modernas e aplicações em astronomia, geofísica e meteorologia; 
  • Buscar soluções integradas interna e externamente ao IAG visando prover a instituição com a necessária capacidade computacional para que o IAG possa desenvolver projetos científicos de grande porte;
  • Promover ações que levem ao compartilhamento interno ao IAG de cursos no nível de graduação e pós-graduação em áreas de interesse comum da Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas e também com outras unidades afins; 
  • Há evidente esforço no sentido de colocar a pós-graduação nos níveis mais altos de avaliação da CAPES. Entretanto, não basta a métrica CAPES. É preciso reforçar e zelar pela manutenção do foco da pós-graduação na missão da instituição de forma que o programa tenha um diferencial com relação aos demais programas existentes no País e que sejam de nível efetivamente internacional, considerando instituições renomadas;
  • É preciso analisar a possibilidade de fortalecer/estabelecer novas modalidade de ensino no nível da pós-graduação e extensão. A atuação do IAG no Mestrado Profissional em Astronomia pode ser expandida para as outras áreas. Temos demandas, tanto nas Ciências Atmosféricas quanto na Geofísica, que surgem claramente em função das atividades de órgãos controladores como a Agencia Nacional das Águas, Agência Nacional de Energia Elétrica, Agência Nacional de Petróleo e pelas oportunidades econômicas induzidas pelo crescente uso de energias renováveis;
  • A identificação de novas áreas de atuação do IAG e a manutenção de atividades fundamentais, comprometidas pela aposentadoria ou perda de professores, requerem ações em alta sintonia com a Reitoria (como, por exemplo, a autorização para a realização de concursos públicos que permitam um maior número de candidatos altamente competitivos e um formato de concurso mais eficaz no processo seletivo). 
  • Por fim, fortalecer o apoio na gestão de projetos no IAG. Essa iniciativa do IAG tem sido de fundamental apoio para a gestão dos grandes projetos que foram concedidos ao IAG nos últimos anos. 
Para que seja garantida a sustentabilidade e, possivelmente, crescimento das lideranças científicas em áreas consideradas estratégicas ao IAG é necessário questionar também se o modelo de financiamento das atividades adotado até hoje, baseado em grande parte no aporte de recursos por parte das agências de fomento e apoio orçamentário, continuará a ser o melhor caminho no futuro. Parcerias Público-Privadas com empresas em busca de oportunidades, a flexibilização na contratação de serviços, a instituição de prêmios para as contribuições científicas e tecnológicas, são possíveis formas e oportunidades que podem dar ao IAG a liberdade de exercer mais livremente seu potencial. 
No plano gerencial, algumas linhas gerais do plano de gestão, coerentes com  a atuação profissional do Diretor e do Vice-Diretor são:
  • Ouvir opiniões;
  • Incentivar os colegiados a irem muito além das questões burocráticas, trazendo opiniões e propostas de soluções inovadoras;
  • Buscar melhor articulação entre as tarefas administrativas e de suporte à missão institucional e os relacionamentos entre pessoas e grupos;
  • Promover a melhoria contínua da capacitação de pessoal de apoio e das condições de trabalho: o progresso contínuo é fundamental;
  • Influenciar as pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos da instituição e do bem comum;
  • Incentivar e dar condições para os funcionários e professores darem o melhor de si;  
  • Atuar em sintonia com as metas e diretrizes estabelecidas pela USP visando a produção de resultados para a sociedade;
  • Realizar avaliação clara e isenta do que funciona adequadamente no IAG e determinar as áreas que devem passar por revisão ou atualização; 
  • Trabalhar no sentido de remover os obstáculos e os entraves, para que seja possível atingir a missão final da instituição é obrigação desta Direção.
  • Contribuir para que a USP, como um todo, se fortaleça como instituição líder, e atuar em sintonia com as diretrizes da Universidade. 
Cremos que nossa experiência científica, docente e administrativa, em sinergia com as diretrizes gerais da USP e apoio dos órgãos colegiados, levará o IAG a uma posição com maior inserção na sociedade e contribuirá para o fortalecimento da USP como uma universidade de alto impacto.  
 
Não posso deixar de colocar uma nota pessoal para fazer um especial agradecimento à minha esposa, Maria Assunção Faus da Silva Dias, professora aposentada, recentemente, do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG/USP.  Compartilhamos a carreira profissional desde nossa admissão na USP como docentes em 1975 e, na realidade, desde 1968, quando nos conhecemos no Colégio Bandeirantes. Além da parceria científica, ela sempre foi minha “consultora” para os assuntos administrativos “espinhosos” e minha “musa inspiradora” em todos os aspectos. Hoje, não pôde estar presente nesta cerimônia pois está recebendo uma homenagem da Colorado State University- CSU, onde obtivemos o título de PhD no final dos anos 70. Trata-se de uma homenagem pela sua destacada contribuição profissional na qual a CSU realça sua contribuição para colocar o Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG/USP como instituição “top” no cenário internacional além de sua contribuição científica pessoal e intensa atuação na área operacional da Meteorologia (direção do CPTEC e atuação em comissões importantes da Organização Meteorológica Mundial). Evidentemente, cabe também um agradecimento aos 3 filhos (Guilherme, Juliana e Isabel) que nos deram 6 netos maravilhosos e sempre tiveram uma enorme paciência com os pais. E, por fim, uma lembrança de meu pai, Prof. Candido Lima da Silva Dias que, por tantas décadas (desde o início da USP), dedicou-se a esta grande Universidade que se tornou nossa “casa” (minha e de meu irmão, Guilherme Leite da Silva Dias e irmã, Maria Odila Leite da Silva Dias). 
 
Cabe lembrar também de todo apoio recebido pelo Ricardo, inclusive com a parceria de sua esposa aqui presente, Maya de Liz Branco e sua filha Maria (com 8 anos).
 
São Paulo, 14 de setembro de 2017
 
Pedro Leite da Silva Dias            Ricardo Ivan Ferreira da Trindade
 

Cerimônia de Posse: Sala do Conselho Universitário, 14 de setembro de 2017

 
Professores Pedro Leite da Silva Dias e Ricardo Ivan Ferreira da Trindade, Diretor e Vice-Diretor do IAG
Professores Pedro Leite da Silva Dias e Ricardo Ivan Ferreira da Trindade, Diretor e Vice-Diretor do IAG
 
Prof. Dr. Pedro Leite da Silva Dias, Diretor do IAG, e Prof. Dr. Ricardo Ivan Ferreira da Trindade, Vice-Diretor do IAG
Prof. Dr. Pedro Leite da Silva Dias, Diretor do IAG, e Prof. Dr. Ricardo Ivan Ferreira da Trindade, Vice-Diretor do IAG
 
Sylvio Ferraz-Mello (Diretor 1981-1985), Pedro Leite da Silva Dias (Diretor 2017–), Jacques Raymond Daniel Lépine (Diretor 2001-2005), Laerte Sodré Junior (Diretor 2013-2017) e Marcia Ernesto (Diretora 2005-2009)
Sylvio Ferraz-Mello (Diretor 1981-1985), Pedro Leite da Silva Dias (Diretor 2017–), Jacques Raymond Daniel Lépine (Diretor 2001-2005), Laerte Sodré Junior (Diretor 2013-2017) e Marcia Ernesto (Diretora 2005-2009)