Estudo produz o mapa mais preciso da distribuição da matéria escura no Universo

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – A matéria conhecida (denominada “bariônica”) corresponde a apenas 5% do conteúdo do Universo. Outros 25% são constituídos pela desconhecida matéria escura. E 70%, pela ainda mais enigmática energia escura. Estas porcentagens (aqui expressas em valores arredondados), que haviam sido estabelecidas por estudos anteriores, foram confirmadas agora, com notável convergência numérica, pelo Dark Energy Survey (DES).

Conduzido por uma colaboração internacional, o DES é um mapeamento do Universo em grande escala, que deverá rastrear uma área equivalente a um oitavo do céu (5 mil graus quadrados) e levantar dados sobre mais de 300 milhões de galáxias, 100 mil aglomerados de galáxias e 2 mil estrelas supernovas, além de milhões de estrelas da Via Láctea e objetos do Sistema Solar.

Com a atividade iniciada em 2013 e prevista para prosseguir até 2018, a colaboração acaba de divulgar os dados sistematizados de seu primeiro ano de trabalho. Esses dados possibilitaram a elaboração de um mapa, com 26 milhões de galáxias, que cobre cerca de 1/30 do céu e apresenta a distribuição heterogênea da matéria escura em uma faixa de bilhões de anos-luz de extensão.

Outro destaque no material divulgado pela colaboração é que os dados sistematizados do primeiro ano são consistentes com a interpretação mais simples acerca da natureza da energia escura. Segundo tal interpretação, esse misterioso ingrediente, que faz com que a expansão do Universo esteja sendo acelerada em vez de retardada, seria a energia do vácuo. E corresponderia à constante cosmológica (Λ), inicialmente proposta e depois abandonada por Einstein. De acordo com o modelo, a quantidade total dessa energia aumenta, em decorrência da própria expansão, mas sua densidade se mantém constante, no espaço e no tempo.

A questão da natureza da energia escura, porém, permanece aberta. E não pode ser descartada a possibilidade de que dados já colhidos, mas ainda em fase de sistematização, ou que venham a ser obtidos até o final do levantamento, desfavoreçam essa interpretação em benefício de outras, mais sofisticadas.

Veja matéria completa na Agência FAPESP.

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