Populações estelares na Via Láctea

O principal objetivo deste projeto é estudas as populações estelares e estrutura da Via Láctea, para melhor entender sua formação e evolução. Os objetos de estudo são estrelas do Bojo, Halo e Disco Galácticos. O bojo é estudado em termos da composição química de estrelas individuais, assim como da cinemática e idades de estrelas do campo e de aglomerados globulares. A interação entre a barra e os aglomerados globulares mais velhos, contidos na barra, é estudada
derivando seus movimentos próprios e distância. O objetivo final é saber se as estrelas mais pobres em metais do bojo são as mais velhas da Galáxia, pois isso confirmaria que o bojo foi formado primeiro. O halo Galáctico é estudado através das estrelas mais pobres em metais da Galáxia, através de análise de abundâncias. Uma seleção de novos objetos, em particular de estrelas pobres em metais e ricas em carbono, é também desenvolvida a partir dos grandes levantamentos (Hamburg/ESO e Sloan Digital Sky Survey).
Para o halo e o bojo, a composição química das estrelas pobres em metais ([Fe/H]$\sim$-1.0 no bojo, e [Fe/H] $<$ -2.0 no halo) informam sobre a natureza das primeiras supernovas, que produziram o enriquecimento químico do gás a partir do qual essas estrelas se formaram.
O disco Galáctico é estudado através de a) estrelas super-ricas em metais, que parecem ter migrado das regiões mais internas da Galáxia; b) anãs M ricas em metais; c) estrelas jovens e regiões de formação de estrelas.
O grupo é especialista em espectroscopia de estrelas frias, usando baixa resolução espectral para selecionar objetos, e alta resolução para análise de abundâncias e derivação de velocidades radiais. Do ponto de vista teórico, selecionam-se dados atômicos e moleculares, incluindo cálculos de estrutura hiperfina e constantes moleculares, e produzem-se listas de linhas, as quais são verificadas por comparação com espectros de estrelas bem conhecidas como o Sol e Arcturus. Para isto, utilizam-se modelos de atmosfera para calcular espectros sintéticos, os quais são comparados aos espectros observados. Também produzimos espectros integrados de popula\c cões estelares compostas, e pretende-se usar espectroscopia de campo integral. No estudo de aglomerados globulares, também utilizam-se imagens no óptico e no infra-vermelho, para produzir diagramas cor-magnitude, e deduzir suas idades.
Para regiões de formação de estrelas, dados de raios-X dos satélites XMM-Newton e Chandra vêm sendo obtidos, para identificação de estrelas jovens. 
Instrumentação é uma parte importante deste projeto, com principalmente o desenvolvimento do espectrógrafo CUBES para o VLT/ESO, mas também os espectrógrafos ECHARPE para o OPD/LNA/MCTI, e o espectrógrafo multi-objeto MOSAIC para o E-ELT.
O espectrógrafo CUBES está em estágio de "Pesquisa e Desenvolvimento" (Research & Development, R&D) sobre as características no ultravioleta de novos detectores CCD, e de novas redes de difração apropriadas ao ultravioleta. Estes estudos são úteis para qualquer instrumento com capabilidades no ultravioleta, para o presente e futuro. O espectrógrafo MOSAIC envolve a expertise em fibras ópticas desenvolvida no Brasil.