Doutorado: Paleomagnetismo e petrogênese de unidades Paleoproterozóicas do evento Uatumã no norte do Craton Amazônico

Data: 
16/02/2017 - 11:00
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de tese de doutorado
Aluno: Paul Yves Jean Antonio
Programa: Geofísica
Título: Paleomagnetismo e petrogênese de unidades Paleoproterozóicas do evento Uatumã no norte do Craton Amazônico

Comissão julgadora
1) Prof. Dr. Manoel Souza D’Agrella Filho – IAG/USP
2) Profa. Dra. Anne Nédelec – Univ. de Toulouse/França
3) Prof. Dr. Wilson Teixeira – IGc/USP
4) Prof. Dr. Hervé Théveniaut – BRGM/França
5) Prof. Dr. Augusto Rapalini – Univ. de Buenos Aires/Argentina
 
 
Resumo
Um grande magmatismo intraplaca cobriu várias áreas (1.500.000 km2) do Cráton Amazônico há 1880 Ma e define uma grande província ígnea (SLIP) chamada coletivamente de "evento Uatumã". O objetivo deste trabalho é estudar o paleomagnetismo e a petrologia dessas rochas para definir o contexto espaço-temporal do evento Uatumã e a posição do cráton Amazônico dentro do Supercontinente Columbia. Duas áreas de estudo foram escolhidas para o amostragem, localizadas no sudoeste do cráton Amazônico (Pará). (1) A região de Tucumã, onde 16 diques félsicos, 7 diques máficos, um dique de gabro e 3 sítios da granodiorita arqueana foram coletadas. (2) A região de São Felix do Xingu, onde 7 sitios de lavas riolíticas, 2 sitios de ignimbritos, um dique felsico e um de brechas vulcânica da Formação Santa Rosa foram amostrados. 6 sitios da Formação Sobreiro (rochas vulcanoclásticos andesítica) e um dique felsico da Suite Velho Guilherme foram recolhidos. Um dos principais resultados da petrologia sobre os diques felsicos de Tucumã (1880.9 ± 6.7 Ma U-Pb zrn) foi de mostrar que eles representam o sistema filonian associada com a Formação vulcânica Santa Rosa. A magnetização remanente dos diques felsicos é portada por magnetita PSD e hematita. A hematita é sin a post-magmatica e podemos quantifiar a alteração hidrothermal com a mineralogia magnética. Desmagnetizações AF, térmica, LTD + AF e LTD + térmica mostram uma componente característica com direção noroeste e inclinação positiva para amostras de 16 sítios, cuja direção média é Dm = 325,6, Im = 28,4 (N= 16, α95= 11.2, R = 14.7, k = 11.8). O pólo paleomagnético calculado com a média dos PGVs está localizado em 49.2 °N, 251.7 °E (A95 = 10.2°, K = 14.1). A remagnetização Mesozoica na região em relação com o magmatismo da CAMP (Central Atlantic Magmatic Province) é observada. Os melhores resultados, entretanto, foram obtidos para a região de São Felix do Xingu. Dois novos polos paleomagnéticos, considerados de origem primária, foram encontrados para o Craton Amazônico: O polo SF1 (319.7°E; 24.7°S; N=10; A95=16.9°) foi obtido para rochas félsicas e andesíticas, as quais foram datadas em 1877.4 ± 4.3 Ma (U-Pb zrn, LA-ICP-MS), sendo que sua origem primária é embasada em um teste de contato cozido inverso. A investigação petrográfica mostra que o portador magnético desta componente é atribuído à hematita, formada por processos hidrotermais tardi- a pós-magmáticos. O polo SF2 (220.1°E; 31.1°S; N=15; A95=9.7°) foi determinado para a componente de magnetização revelada para o dique da Suíte Velho Guilherme e é encontrada, também, como componente secundária em amostras das formações Santa Rosa e Sobreiro. Uma idade de 1853.7 ± 6.2 Ma (U-Pb zrn, LA-ICP-MS) foi atribuída à componente SF2 e sua origem primária é confirmada pelo teste de contato positivo realizado para este dique. Os polos SF1 e SF2 são bem discrepantes, embora apresentem diferença nas idades de apenas 25 Ma. Resultados similares têm sido obtidos para polos de mesma idade de outros blocos cratônicos (India, Superior (Laurentia), Slave (Laurentia), Kalahari, Baltica e Sibéria), os quais podem ser explicados por um evento de deriva polar verdadeira (DPV) nesta época, em decorrência de uma reorganização o Manto. Esta época (1880 Ma) é marcada por uma alta atividade do Manto, a qual culminou com a formação do Supercontinente Columbia, por volta de 1850-1800 Ma. A formação de superplumas e o isolamento térmico causado pela consequente formação do Columbia, podem ter sido causas de perturbações de densidades que alteraram o tensor inercial da Terra e, consequentemente, um evento de DPV pode ter deslocado os continente e as superplumas para a região do equador. Estas condições podem estar ligadas a uma inteira reorganização mantélica que seguiu um período de pouca atividade magmática, ocorrido entre 2400 e 2200 Ma.