Doutorado: Cosmologias aceleradas com criação de matéria: teoria e testes observacionais

Data: 
13/03/2015 - 14:00
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)

Defesa de tese de doutorado
Aluno: Felipe Andrade Oliveira
Programa: Astronomia
Título: Cosmologias aceleradas com criação de matéria: teoria e testes observacionais

Comissão julgadora
Membros titulares:
Prof. Dr. José Ademir Sales de Lima - orientador - IAG/USP
Prof. Dr. Jorge Ernesto Horvath - IAG/USP
Prof. Dr. Gastao Cesar Bierrenbach Lima Neto - IAG/USP
Prof. Dr. Vilson Tonin Zanchin - UFABC/SP
Prof. Dr. Marcos Vinicius Borges Teixeira Lima - IF/USP-SP
 
Membros suplentes:
Profa. Dra. Elisabete Maria de Gouveia Dal Pino - IAG/USP
Prof. Dr. Eduardo Serra Cypriano - IAG/USP
Prof. Dr. Mauricio Ortiz Calvão - UFRJ/RJ
Prof. Dr. Valdir Barbosa Bezerra - UFPB/PB
Prof. Dr. Martin Makler - CBPF/RJ
 
Resumo
Os recentes avanços em cosmologia observacional indicam que o universo esteja passando por uma fase de expansão acelerada. A determinação do mecanismo responsável pela aceleração cósmica constitui um dos problemas mais intrigantes na ciência hoje. Entre os diversos candidatos a mecanismo de aceleração, a explicação mais simples e econômica é assumir a existência de uma constante cosmológica Λ associada à energia do vácuo. Contudo, essa interpretação leva a importantes problemas conceituais associados à natureza dessa componente.
Nesta tese, investigamos a dinâmica de diferentes mecanismos de aceleração cósmica, comparando suas previsões com diversos testes observacionais. Em particular, demos ênfase aos cenários baseados na criação de matéria escura fria (CCDM), nos quais a presente aceleração do universo é produzida sem a presença de um fluido exótico, como consequência do processo de produção de partículas de matéria escura gravitacionalmente induzido.
Inicialmente, propusemos um modelo no qual o mecanismo de criação de partículas é capaz de gerar uma cosmologia dinamicamente degenerada com o modelo padrão, ΛCDM. Discutimos no chamado modelo de Lima, Jesus & Oliveira (LJO) a dinâmica cosmológica com criação de matéria escura fria e com pressão. Através de um teste estatístico de χ2, mostramos que o modelo fornece ótimo ajuste aos dados de supernovas tipo Ia (SNe Ia).
Posteriormente, estudamos a evolução de pequenas perturbações de densidade em um fundo homogêneo para modelos tipo CCDM, através do formalismo Neo-Newtoniano. Restringindo-nos ao modelo LJO, comparamos as previsões obtidas nesse contexto com as proveniente do modelo ΛCDM. Mostramos que o modelo é capaz de fornecer excelente ajuste aos dados observacionais de medidas da taxa de crescimento linear, para o caso plano e com velocidade efetiva do som c2eff = -1.
Ainda dentro do cenário CCDM, investigamos uma segunda proposta original, com capacidade de ajuste às observações similar aos modelos ΛCDM e LJO com mesmo número de parâmetros livres, porém com dinâmica não degenerada com estes. Derivamos a dinâmica cosmológica do modelo e discutimos a sua viabilidade através da análise estatística de medidas de SNe Ia e do parâmetro de Hubble em diferentes redshifts H(z).
Finalmente, discutimos a dinâmica de um modelo com decaimento do vácuo (Λ(t)CDM) e sua descrição em campos escalares. Assumindo como forma do termo de vácuo uma série de potências truncada do parâmetro de Hubble, derivamos as equações dinâmicas básicas e as previsões cosmológicas do modelo. Mostramos que, quando a transferência de energia entre as componentes dos setor escuro se dá através da criação de partículas, modelos CCDM e Λ(t)CDM podem compartilhar a mesma dinâmica e termodinâmica, dentro de certas condições. Mostramos que o modelo é capaz de prover um bom ajuste às medidas de SNe Ia e da chamada razão CMB/BAO. Obtivemos ainda uma descrição do modelo Λ(t)CDM por um campo escalar, estendendo a validade do modelo para outros espaços-tempos e outras teorias gravitacionais.
Nossos resultados mostram que existem diversas alternativas viáveis ao atual modelo padrão em cosmologia, capazes de contornar os problemas associados à constante cosmológica. A discussão dessas alternativas é essencial para uma compreensão mais profunda acerca da dinâmica, da composição e do destino do universo.