Doutorado: Estudo das tempestades noturnas no sudoeste da Amazônia (NOVA DATA)

Data: 
13/04/2021 - 14:00
Local: 
Transmissão online
 
DEFESA REMARCADA DEVIDO À ANTECIPAÇÃO DE FERIADOS NA CIDADE DE SÃO PAULO.
 

Defesa de tese de doutorado
Aluno: Ana Maria Pereira Nunes
Programa: Meteorologia
Título: Estudo das tempestades noturnas no sudoeste da Amazônia

Comissão Julgadora:
Profa. Dra. Maria Assunção Faus da Silva Dias - IAG/USP – por videoconferência
Profa. Dra. Rachel Ifanger Albrecht – IAG/USP – por videoconferência
Dr. Luiz Augusto Toledo Machado – INPE – por videoconferência
Profa. Dra. Julia Clarinda Paiva Cohen – UFPA – por videoconferência
Prof. Dr. Wallace Figueiredo Menezes – UFRJ – por videoconferência
 
 
Resumo
Este estudo investiga as tempestades noturnas que ocorrem na região sudoeste da Amazônia durante o período de 1998-2013. As tempestades foram identificadas utilizando dados obtidos pelo satélite TRMM através de uma série de critérios envolvendo sua profundidade vertical e área horizontal, volume de chuva associado e presença de raios. Os eventos noturnos encontrados aqui não correspondem totalmente a passagem de linhas de instabilidade, como sugerem estudos anteriores. Aqui as tempestades noturnas são analisadas sob o ponto de vista observacional, explorando diversas bases de dados, e também da modelagem numérica através do modelo regional BRAMS. O conjunto de 97 tempestades noturnas foi classificado de acordo com sua severidade, identificada pela taxa de raios: cerca de 40% destes sistemas são intensos (> 32 raios/min) e 25% extremos (> 47 raios/min). Resultados mostram que a maior parte das tempestades noturnas ocorre próximo ao sopé da Cordilheira dos Andes, sugerindo um papel orográfico importante, e preferência pelo trimestre de Outubro-Novembro-Dezembro. Dois padrões sinóticos de baixos níveis são observados durante estes eventos: P1, relacionado ao jato de baixos níveis da América do Sul (55 casos), e P2 relacionado a uma confluência NO-SE proveniente da passagem de sistemas frontais (42 casos). Composições de grande escala e anomalias baseadas na reanálise ERA5 enfatizam estes padrões, que já estão estabelecidos pelo menos 12 horas antes do registro das tempestades. A maioria das tempestades noturnas ocorre com suporte de sistemas sinóticos, porém, isoladas, apenas 7 delas são consideradas embebidas em frentes frias. O horário preferencial de início destes sistemas é entre 1800 e 0000 hora local, e eles duram por volta de 7,5 e 22,5 horas. São realizadas composições centradas nas tempestades intensas e não intensas em caixas de 6°x6° ao redor delas. Tempestades noturnas intensas apresentam confluência em baixos níveis, ambiente mais quente, com CAPE mais alto e aumentando no período pré-convectivo enquanto CIN diminui, maior contraste de umidade (horizontal e vertical, com fluxo mais seco sobreposto a fluxo mais úmido) e profundidade da parte quente da nuvem mais rasa quando comparadas às tempestades não intensas. O nível de 850 hPa e o horário de 1800 UTC (dia anterior) parecem ser importantes para a previsibilidade destes sistemas no sudoeste da Amazônia. O papel das circulações locais associadas à cordilheira dos Andes é explorado através de simulações numéricas com modelo regional BRAMS. Resultados mostram que é possível capturar padrões de circulação observados nos campos de reanálise e também observar o desenvolvimento de circulações locais relacionadas à topografia, como fluxo descendo o terreno durante a noite e subindo o terreno o dia. A simulação da tempestade do dia 26/11/2001, terceira mais intensa na classificação de severidade, mostrou que um fluxo de ar em superfície é forçado a subir a inclinação da cordilheira, resultando em um sistema intenso, verticalmente desenvolvido, devido à confluência com fluxo que descende da montanha resultante do resfriamento noturno.
Palavras-chave: Tempestades noturnas. Amazônia. TRMM. BRAMS.