Mestrado: Caracterização magnética do pluton Venda Nova (ES): implicações tectono-estruturais para o plutonismo pós-colisional no Orógeno-Araçuaí (BR) e contribuições paleomagnéticas para o Gondwana Ocidental

Data: 
09/04/2021 - 09:00
Local: 
Transmissão online


Defesa de dissertação de mestrado
Aluno: Ualisson Donardelli Bellon
Programa: Geofísica
Título: Caracterização magnética do pluton Venda Nova (ES): implicações tectono-estruturais para o plutonismo pós-colisional no Orógeno-Araçuaí (BR) e contribuições paleomagnéticas para o Gondwana Ocidental

Comissão Julgadora:
Prof. Dr. Manoel Souza D'Agrella Filho - IAG/USP - por videoconferência
Prof. Dr. Carlos Alberto Rosière - UFMG - por videoconferência
Prof. Dr. Carlos José Archanjo - IGc/USP - por videoconferência
 
 
Resumo
O Orógeno Araçuaí (AO) faz parte de um dos sistemas de orogenias Neoprotezóicas do Brasiliano que edificam o Gondwana. Sua fase final é marcada pela intrusão de plutons pós-colisionais formados pelo colapso-extensional do corpo orogênico. Estes corpos são excelentes candidatos para se estudar o estado de esforços no AO durante sua intrusão e, por serem gerados pelo último evento termotectônico relevante desde a consolidação do Gondwana nesta região, são ótimos alvos para estudos paleomagnéticos. O pluton Venda Nova (Sul do Espírito Santo, BR) consiste numa intrusão elíptica composta, basicamente, por um núcleo gabróico e um envelope sienomonzonítico bordejado a oeste por um estreito anel charnockítico, que intrude rochas orto e paraderivadas sin-colisionais do AO. Apesar de interpretado como um corpo pós-colisional, o mesmo não possui dados estruturais decisivos e datação geocronológica. O objetivo deste trabalho é caracterizar o pluton Venda Nova quanto a sua trama magnética, interpretando-a em função de seu alojamento e do estado de esforços no Orógeno, além de gerar um polo paleomagnético de qualidade que reflita a posição do Gondwana no final do Cambriano. Para isso, usufruiu-se de uma robusta caraterização magnética com curvas termomagnéticas, histereses magnéticas, magnetização remanente isotermal (IRM) e curvas reversas de primeira ordem (FORCs – First Order Reversal Curves). Os dados obtidos apontam para uma distribuição de fases magnéticas, na maioria composta por magnetitas multidomínio. A investigação da lineação e foliação magnética foi efetuada por meio da análise de anisotropia de suscetibilidade magnética (ASM) e anisotropia de magnetização remanente anisterética (AARM). Os dados mostram um padrão concêntrico com maiores mergulhos da foliação nas bordas e lineações mais horizontalizadas na porção central do corpo – indicando que forças gravitacionais dominavam o estado de esforços durante sua intrusão e caracterizando-o como um corpo pós-colisional. As desmagnetizações a campos alternados (AF – Alternating Field) e mista (AF até 10 mT seguido de térmica) foram eficientes para isolar a magnetização remanente característica das amostras (ChRM) – sendo que, o tratamento misto indicou a presença de uma estreita faixa de temperaturas de bloqueio, com queda em torno de 560°, indicando que magnetitas de domínio PSD/SD devem portar a magnetização estável das rochas do Venda Nova. O polo paleomagnético gerado por 198 amostras distribuídas em 22 sítios, localizado em 330,5°E; 3,2°N e (A95 = 3.80°), pode ser estatisticamente explicado pelo registro completo da variação paleosecular. Sua posição em comparação com curvas de deriva polar aparente do Gondwana insere-se próximo de polos com intervalo entre 510 Ma e 500 Ma, sendo essas idades coerentes com o período pós-colisional do Orógeno Araçuaí.
Palavras-chave: Orógeno Araçuaí, Gondwana Ocidental, magmatismo pós-colisional, trama magnética, anisotropia de suscetibilidade magnética, paleomagnetismo.