Mestrado: Variabilidade interanual do Atlântico Tropical e sua influência em eventos extremos de precipitação: Foco na Bacia Amazônica

Data: 
09/06/2020 - 14:00
Local: 
Transmissão online


Defesa de dissertação de mestrado
Aluno: Katherine Lisbeth Ccoica Lopez
Programa: Meteorologia
Título: “Variabilidade interanual do Atlântico Tropical e sua influência em eventos extremos de precipitação: Foco na Bacia Amazônica”

Comissão Julgadora:
Prof. Dr. Ricardo Hallak (orientador) – IAG/USP– por videoconferência
Profa. Dra. Michelle Simões Reboita– UNIFEI/Itajubá – por videoconferência
Profa. Dra. Leila Maria Vespoli de Carvalho – University of California/USA– por videoconferência
 
 
Resumo:
Este estudo fornece uma análise, em escala de tempo interanual, da influência dos oceanos Pacífico tropical e Atlântico no regime de precipitação na América do Sul, com foco na Bacia Amazônica. Para esse fim, primeiro os dados mensais da temperatura da superfície do mar (SST) são usados para determinar os principais modos de variabilidade em três regiões do Atlântico: Atlântico Tropical Norte (TNA), Atlântico Tropical Sul (TSA) e Atlântico Sul Subtropical (STSA). Esses padrões são obtidos da Função Ortogonal Empírica (EOF), onde o primeiro modo (PC1) de cada região explica a variabilidade interanual em porcentagem alta, além de mostrar os picos de SST relacionados a eventos extremos de precipitação na Bacia Amazônica. Além disso, a interação do Pacífico e Atlântico foi analisada por correlações móveis e ondeletas cruzadas para o período 1880-2017, usando índices do Pacífico (índices E e C) e o PC1 de cada região do Atlântico. Os resultados mostram que as regiões do Atlântico estiveram acopladas e desacopladas em determinados períodos. Da mesma forma, os oceanos Pacífico e Atlântico foram mostrados em fase ou fase oposta em diferentes períodos de tempo e escalas de frequência. Finalmente, a precipitação de dados do satélite e dados combinados (observado e satélite) para o período 1940-2010 foram usados para identificar as regiões onde o SST do Pacífico e do Atlântico influenciam. Os resultados sugerem que os diferentes ingredientes de El Niño Southern Oscillation (ENSO) impactam principalmente na precipitação durante o início (outubro-novembro) e o pico (dezembro-fevereiro) do Sistema de Monção da América do Sul (SAMS). Também é mostrado que condições anômalas sobre o Oceano Atlântico Tropical Norte e Sul afetam os regimes de precipitação durante o final (março-abril) e o período de ausência do SAMS (maio-setembro), enquanto o Atlântico Sul Subtropical afeta a precipitação durante o pico e durante a ausência do SAMS. O fluxo de umidade, sua divergência e a estrutura vertical sobre a América do Sul e os oceanos adjacentes são obtidos para diferentes condições dos oceanos tropicais, através dos índices oceânicos. Os resultados mostram que condições anômalas da temperatura da superfície do mar nessas regiões oceânicas modificam as regiões de fonte e sumidouro da umidade atmosférica em todas as estações. Uma redução no fluxo de umidade, principalmente em condições tropicais quentes do Atlântico, pode levar a períodos extremamente secos no centro-sul da Amazônia e no norte da Bacia da Prata. Esse efeito, de fato, pode ser ainda mais extremo na América do Sul, quando é precedido pelo evento El Niño. No entanto, impactos contrastados são observados durante os anos do El Niño, com deficit pluviométrico na América do Sul tropical, a leste dos Andes e excesso de chuva no sudeste da América do Sul e noroeste dos Andes (norte do Peru, litoral do Equador e Colômbia). Os resultados fornecem uma análise que ajudara a melhorar as políticas de adaptação e gerenciamento de riscos relacionadas aos impactos da variabilidade e mudança climática.
Palavras-chave: variabilidade da chuva; analise de clusters; índices oceânicos; precipitação extrema; variabilidade interanual da SST; variabilidade interdecadal da SST.