Mestrado: Conexões da teia cósmica: vinculando propriedades de aglomerados e filamentos de galáxias

Data: 
16/12/2019 - 15:00
Local: 
Auditório P217 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de dissertação de mestrado
Aluno: Natália Crepaldi Del Coco
Programa: Astronomia
Título: Conexões da teia cósmica: vinculando propriedades de aglomerados e filamentos de galáxias

Comissão Julgadora:
Prof. Dr. Gastão Cesar Bierrenbach Lima Neto – IAG/USP
Prof. Dr. Laerte Sodre Junior – IAG/USP
Profa. Dra. Tatiana Ferraz Laganá – UNICSUL/São Paulo-SP
Prof. Dr. André Luís Batista Ribeiro – UESC/Ilhéus-BA – por videoconferência
 
Resumo
Em grandes escalas, a matéria no Universo se organiza numa estrutura que se assemelha às teias de aranha, na qual aglomerados de galáxias se conectam por filamentos, encerrando regiões quase vazias. A relação destes ambientes e seus efeitos sobre objetos de menor escalas têm sido amplamente discutido nos últimos anos, levando à cenários divergentes. O objetivo deste trabalho é buscar por correlações entre os componentes da distribuição de matéria em escalas de dezenas de Mpc. Especificamente, estudamos as propriedades de aglomerados de galáxias (AG) e da estrutura filamentar ao seu redor, e como elas se relacionam. As características dos aglomerados foram obtidas pela emissão em raios-X do plasma intra-aglomerado. A partir de dados públicos do satélite XMM-Newton, derivou-se aspectos como temperatura, massa e estado dinâmico de 14 AGs no intervalo 0,14<z<0,35. A estrutura filamentar ao redor de cada AG foi estudada pela distribuição de galáxias em regiões cilíndricas de raio 50 Mpc e espessura △zfoto = 0,16, oriunda do SDSS DR14. Em cada campo, aplicamos o algoritmo Cosmic Web Reconstruction para determinar o esqueleto cósmico. O Filamento Principal (FP) foi identificado como aquele cruzando um dos AGs estudados em raios-X. Todas as galáxias mais próximas que 1,5 Mpc desses esqueletos filamentares foram consideradas como membros das estruturas. Analisamos as propriedades dos FPs como cor, comprimento e densidade relativa. Os resultados mostram que filamentos possuem índice de cor (g-i) similares, sem gradiente em direção ao eixo filamentar, apesar da estrutura se tornar mais densa em seu centro. Essas informações acordam com Darvish et al. (2015), que defende que a relação cor-densidade não é relevante nesse tipo de ambiente. Por outro lado, há uma tendência ao avermelhamento na direção do aglomerado mais próximo, apesar de não possuir mudança expressiva na densidade relativa. Além disso, observamos que aglomerados não cool-core mais massivos são mais vermelhos se comparados à cor de seu FP. Ambos resultados indicam que galáxias vermelhas caem mais rapidamente rumo ao AG mais próximo do que as com formação estelar, como proposto por Sarron et al. (2019). Ademais, verificamos que aglomerados de maior massa residem em filamentos menores e menos densos, sugerindo um sistema coevolutivo no qual um filamento menor representa uma estrutura mais colapsado em direção ao aglomerado, tornando o AG mais massivo devido ao fluxo de matéria e reduzindo a densidade filamentar. O próximo passo é avaliar outros componentes como os conteúdos de gás e matéria escura na teia cósmica, os quais proverão novas informações sobre como as maiores estruturas do Universo evoluem e se relacionam.
Palavras-chave: galáxias: aglomerados: geral - raios-X: galáxias: a - cosmologia: estrutura m larga-escala do Universo - Métodos: análise de dados