Seminário: Como a diversidade estrutural de ecossistemas determina a resposta de florestas tropicais intactas e degradadas a secas?

Data: 
24/09/2021 - 14:00
Local: 
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O seminário do Departamento de Ciências Atmosféricas será apresentado pelo Dr. Marcos Longo (Lawrence Berkeley National Laboratory, Berkeley CA, EUA).

Resumo: A estrutura, composição, dinâmica e funcionamento da floresta amazônica têm sido bastante afetadas por mudanças tanto do clima quanto do uso da terra. Utilizando um modelo demográfico de vegetação (ED-2.2), integrado com dados de campo e de sensoriamento remoto, eu discutirei como ecossistemas estruturalmente diversos na Amazônia respondem ao aumento de recorrência de secas severas, e como a degradação destas florestas alteram esta resposta.  Em regiões mais secas da Amazônia, modestas reduções da precipitação média (~ 0.5σ) podem induzir a perdas significativas de biomassa, sobretudo entre árvores do dossel.  Entretanto, parte da perda de biomassa pode ser compensada com um aumento de árvores menores, que passaram a ter mais acesso a radiação incidente.  Além disto, identificamos que entre florestas severamente degradadas, os fluxos de água, energia e carbono são fortemente alterados em comparação a florestas intactas durante a estação seca, com redução de evapotranspiração e assimilação de carbono em torno de 35%, e aumentos de até 40% nos fluxos de calor sensível. As mudanças do micro-ambiente em florestas degradadas favorecem também condições de alta flamabilidade. Entretanto, durante secas muito severas, as diferenças entre florestas degradadas e intactas diminuem, porque o severo estresse hídrico predomina sobre o efeito de estrutura de florestas. Esses resultados sugerem que a suscetibilidade da floresta amazônica a eventos extremos não é impulsionada apenas pelo clima, mas também pelo histórico de distúrbios anteriores e, portanto, modulada pela própria estrutura da floresta.
 
 
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