Seminário: Conexões geofísico-metalogenéticas: o caso da Província Aurífera de Alta Floresta

Data: 
05/08/2021 - 16:30
Local: 
Transmissão online


O seminário do Departamento de Geofísica será ministrado pelo Prof. Dr. Vinicius Hector Abud Louro (IGc/USP).

 
Resumo: A Província Aurífera de Alta Floresta (PAAF), no sul do Cráton Amazônico, tem sido explorada desde a década de 1970, revelando recorrentemente novos depósitos de ouro de alto teor e baixa tonelagem (< 5 t). Esses sistemas são hospedados por granitóides oxidados do tipo cálcio-alcalino do tipo I, com concentrações médias a altas de K. Em seu setor mais oriental, esses depósitos Paleoproterozóicos ricos em ouro são classificados como sistemas pórfiro-epitermais de Au ± Cu e Au + Metais de Base. Sugere-se que esses sistemas teriam se formado, no mínimo, em três profundidades diferentes: 2.7 km (e.g. Depósitos do Francisco e do Luiz); 3.3 a 4.7 km (e.g. Depósito do Luizão); e até 6 km (e.g. depósitos X1 e Pé Quente). Os processos de formação de minério ocorreram possivelmente entre 1.77 e 1.78 Ga, independentemente de suas profundidades. Usamos essas características como vetores para uma avaliação geofísica de todo o setor leste da PAAF. Neste trabalho, foram interpretados dados de gamaespectrometria, campo magnético (aerotransportados) e imagens multiespectrais orbitais com informações metalogenéticas e estruturais. A maioria dos depósitos ricos em ouro da província são encontrados na intersecção das anomalias magnéticas, lineamentos e assinatura espectral de alteração hidrotermal. Os depósitos com evidências de eventos de mineralização mais profundos, geneticamente associados a processos de formação de pórfiros, distribuíram-se ao longo do comprimento de onda, possivelmente mais lineamentos crustais. A mineralização mais rasa, associada a depósitos de baixa a intermediária sulfetação, ocorrem ao longo dos lineamentos de  comprimento de onda mais curtos. Integrando todos os conjuntos de dados, foi possível produzir uma visão geofísica do potencial de exploração da PAAF. Este panorama considerou áreas conhecidas e ainda não exploradas, como evidências para inferir o tipo de modelo genético, o que deverão ser confirmadas com futuras análises geológicas, petrológicas e químicas.