Seminário: Efeito gangorra entre o Dipolo Magnético da Terra e a Anomalia Magnética do Atlântico Sul

Data: 
02/07/2020 - 16:30
Local: 
Transmissão online


O seminário do Departamento de Geofísica será ministrado pelo Prof. Dr. Wilbor Poletti (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)

 
Resumo:
O campo magnético da Terra é um fenômeno geofísico que varia de maneira complexa ao longo de diferentes escalas temporais. Sua origem advém da movimentação do fluido metálico condutor que compõe uma das camadas mais profundas da Terra – o núcleo externo. A porção ordenada da dinâmica do núcleo externo é essencialmente responsável pela geração e manutenção do campo médio dipolar. No entanto, heterogeneidades físicas nas camadas que circundam o núcleo externo geram perturbações em sua (magneto)hidrodinâmica, e favorecem a formação de componentes não-dipolares. Devido à fonte primária de formação do campo geomagnético estar contida em um volume fechado, podemos assumir que a energia total deste sistema tende a uma dispersão com baixa ordem de grandeza. Portanto, as oscilações relativamente rápidas do campo geomagnético (i.e., poucos milhares a dezenas de anos) são fundamentalmente sustentadas pela migração energética entre os mecanismos responsáveis por suas partes dipolar e não-dipolar. Atualmente existem duas feições que intrigam a comunidade geocientífica: a constante diminuição do dipolo magnético da Terra e o aumento da anomalia de baixa intensidade que translada entre as porções sul dos continentes Africano e Sul-Americano (i.e., anomalia magnética do Atlântico Sul – sigla em inglês SAA). Rotineiramente, é enunciada uma possível correlação entre essas feições. No entanto, os poucos os trabalhos que abordam essa temática de forma aprofundada se limitam aos últimos 175 anos. Nesse seminário, será apresentado um conjunto de novos resultados, dos quais destacam-se quatro: i) a derivação de uma possível assinatura da evolução do dipolo geomagnético a partir dos modelos vigentes para o Holoceno; ii) a aplicação dessa assinatura na interpolação dos dados de intensidade magnética de alta qualidade dos últimos dois mil anos; iii) a avaliação da resposta do dipolo geomagnético frente à intensificação da SAA; e iv) a extrapolação das análises para os próximos dois milênios de forma a especular o efeito gangorra entre o dipolo geomagnético e a SAA.