Defesa de Tese de Doutorado em Geofísica
Estudante: Letícia Rangel Dantas
Programa: Geofísica
Título: "Observatório-piloto de Zona Crítica na cidade de São Paulo: estudo de impactos antropogênicos na Zona Crítica"
Orientador: Profa. Dra. Andréa Teixeira Ustra
Comissão Julgadora:
- Profa. Dra. Andréa Teixeira Ustra - Presidente e Orientadora - IAG-USP/ Geofísica
- Prof. Dr. André Campos Guaragna Kowalski - IGc-USP/ Geologia
- Prof. Dr. Leonides Guireli Netto - IPT
- Dr. Plínio Francisco Jaqueto - ON
- Profa. Dra. Suzan Sousa de Vasconcelos - UFBA/ Geofísica
Membros suplentes:
- Prof. Dr. Vagner Roberto Elis - IAG-USP/ Geofísica
- Prof. Dr. Carlos Alberto Mendonça - IAG-USP/ Geofísica
- Prof. Dr. César Augusto Moreira - UNESP/ Geologia
- Prof. Dr. Wilbor Poletti Silva - UFVJM/ Engenharia Geológica
- Prof. Dr. Luciano Soares da Cunha - UnB/ Instituto de Geociências
Resumo:
A Zona Crítica (ZC) constitui o sistema dinâmico da superfície terrestre que se estende do topo da vegetação às águas subterrâneas, regulando fluxos essenciais de energia e serviços ecossistêmicos por meio de suas interfaces porosas. Fundamental para prever respostas às mudanças climáticas e de uso da terra, a pesquisa sobre a ZC ainda se concentra majoritariamente em ambientes de baixo impacto antrópico, negligenciando a crescente pressão da urbanização global sobre suas funções biogeoquímicas e estruturais. Atualmente, persiste uma lacuna nos modelos conceituais da ZC quanto à forma como a urbanização altera as interações hidrogeológicas e biogeoquímicas em escala local, especialmente em planícies de inundação, onde faltam estudos acoplados e iniciativas de monitoramento de longo prazo no Brasil. Este trabalho teve como objetivos implementar um Observatório-piloto de Zona Crítica (OZC-São Paulo) na planície de inundação do rio Tietê e investigar sua arquitetura e dinâmica sob a influência integrada de fatores naturais e intervenções antrópicas históricas. A investigação foi conduzida em dois sítios intensamente antropizados da Zona Leste de São Paulo (EACH – USP Campus Leste e Núcleo Engenheiro Goulart - Parque Ecológico do Tietê) por meio de uma abordagem multidisciplinar e de longo prazo. Adotou-se uma estratégia multitécnica que integrou o imageamento geofísico de subsuperfície, dados físico-químicos sazonais de águas superficiais e subterrâneas e indicadores de mineralogia magnética em amostras de solo. Esses dados foram acoplados a parâmetros geológicos e meteorológicos locais para caracterizar, de forma integrada, a estrutura física, as variações redox e os fluxos hídricos no sistema da ZC urbana. Os resultados revelaram contrastes na organização subsuperficial dos dois sítios, com maior continuidade dos depósitos no parque e maior heterogeneidade associada aos materiais tecnogênicos no campus. As respostas sazonais das propriedades elétricas mostraram-se dependentes das características locais dos sedimentos, especialmente da distribuição de poros e da condutividade hidráulica. Os parâmetros de magnetismo ambiental permitiram reconhecer mudanças no tamanho dos grãos e nas fases minerais de ferro, indicando a presença de interfaces associadas a processos redox e à influência de águas superficiais. Em conjunto, esses resultados evidenciaram assinaturas distintas dos processos hidrogeológicos e biogeoquímicos em função do contexto deposicional e do histórico de ocupação dos sítios.Esta tese contribui para preencher a lacuna sobre o funcionamento da Zona Crítica em ambientes urbanos ao estabelecer o OZC-São Paulo como uma iniciativa de estudo integrado em uma planície de inundação intensamente antropizada. A pesquisa evidencia como a arquitetura deposicional e as heterogeneidades dela decorrentes condicionam os fluxos de água e as respostas hidrogeofísicas e biogeoquímicas do sistema. A integração de métodos permitiu identificar a influência combinada da sazonalidade e das intervenções antrópicas sobre a dinâmica da ZC, gerando uma base de dados inédita e um referencial para o monitoramento de longo prazo e para a compreensão da resiliência desse ambiente diante da urbanização e das mudanças climáticas.
Palavras-chave: Planície aluvial, Zona crítica urbana, Hidrogeofísica, Magnetismo ambiental