Seminário do Departamento de Ciências Atmosféricas
Tema: Aerobioma da Amazônia Central: variabilidade vertical e transporte de longa distância de bioaerossóis
Apresentação: Guilherme Martins Pereira
Resumo:
Os bioaerossóis originam-se de materiais e processos biológicos, incluindo microrganismos, detritos celulares e subprodutos da atividade biológica. Eles constituem uma parcela significativa do material particulado em regiões preservadas como a Amazônia Central. As metodologias de DNA ambiental (eDNA) tornaram-se ferramentas importantes para a caracterização de bioaerossóis atmosféricos, permitindo a avaliação da diversidade do aerobioma e da saúde do ecossistema. Durante o final da estação chuvosa de 2025, em campanhas de amostragem no Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO), o material particulado foi coletado em alturas de 42 metros (próximo à copa das árvores) e 321 metros (topo da torre), seguido de extração de DNA. O sequenciamento metagenômico shotgun permitiu a classificação taxonômica, revelando que os reinos Fungi, Bacteria e Plantae foram dominantes, com proporções variáveis nas duas alturas de amostragem. Amostras coletadas próximas à copa das árvores apresentaram maior abundância relativa de fungos e plantas. Por outro lado, uma maior proporção de bactérias foi observada no topo, sugerindo uma maior influência de microrganismos menores e mais dispersíveis. A análise shotgun também permitiu identificar perfis funcionais, como a presença de enzimas lignocelulolíticas em ambas as alturas. Em conjunto, os resultados revelam a atmosfera da Amazônia Central como um reservatório dinâmico de diversidade microbiana e potencial funcional, conectando ecossistemas por meio do transporte de organismos e genes associados a processos biogeoquímicos.
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