Apresentação pessoal: Carolina Queiroz

Publicado porCarolina Queiroz no dia 2020/03/09 às 19:10.

Olá, cosmonauta! Se você também compartilha desse nosso fascínio em desvendar os grandes mistérios do cosmos e gostaria de saber um pouco mais sobre a pesquisa que tem sido feita na área de cosmologia, então você está nas coordenadas corretas: seja muito bem-vindo(a)!

Você já ouviu falar em objetos “quase-estelares”? Quer conhecer um pouco mais sobre eles? Então, aperte os cintos e embarque comigo nessa rápida viagem pelo túnel do tempo…

Meu nome é Carolina Queiroz e eu estou terminando meu doutorado no Instituto de Física da USP, sob a supervisão do Prof. Raul Abramo. Desde pequena, eu sempre fui muito tímida e descobri muito cedo o gosto pela leitura. Quando criança, eu também adorava assistir ao “Mundo de Beakman” (um programa de divulgação de ciência muito popular nos anos 90), mas foi através de um manual de experimentos que eu emprestei na biblioteca do meu colégio que, pela primeira vez, eu olhei para a carreira de cientista como sendo algo nobre e admirável – e, naquela época, algo (ainda) inalcansável para mim. Eu sempre tive uma inclinação para a área de exatas, talvez porque eu gostasse de um bom desafio ou simplesmente porque sempre fez sentido para mim, e a física me cativou desde a primeira aula. E foi assim, durante uma aula no ensino médio, que eu soube que gostaria e poderia seguir a carreira de física.

Eu resolvi fazer meu bacharelado na UNICAMP, em Campinas, e desde o fim do primeiro ano eu me engajei em uma iniciação científica na área de raios cósmicos (partículas subatômicas que chegam à Terra vindas do espaço). Na época, existia um estudo sobre a possível correlação entre as direções de chegada de raios cósmicos ultraenergéticos (ou seja, com energias acima de 10^18 eV!) e as direções de núcleos ativos de galáxias (ou AGNs, da sigla em inglês). Isso acabou despertando minha curiosidade para pesquisar mais a fundo sobre os AGNs.

Objetos quase-estelares ou quasares são núcleos de galáxias extremamente luminosos, cuja energia resulta da acreção de material (basicamente gás e poeira) por um buraco negro ativo, bilhões de vezes mais massivo que o Sol, localizado no centro delas. Ao observar um quasar no óptico, ou seja, no mesmo intervalo de frequência que nossos olhos conseguem captar, o que observamos na verdade é uma fonte pontual, que se assemelha a uma estrela fraca (e daí a nomenclatura “quase-estrela”).

Um importante desafio na cosmologia observacional trata-se da classificação de fontes pontuais quando só temos acesso ao fluxo medido em certas bandas fotométricas, ou seja, em intervalos de comprimentos de ondas específicos. Nesse caso, é como se quiséssemos identificar a imagem um quasar, uma estrela ou uma galáxia tendo acesso a apenas algumas peças (de diferentes tamanhos) de um quebra-cabeça.

Desse modo, eu vim fazer meu mestrado na USP com o Prof. Raul, para trabalhar com a identificação de quasares em levantamentos de galáxias de bandas fotométricas estreitas, em particular com o J-PAS e o S-PLUS (sobre os quais você pode ler mais a respeito em outros posts desse mesmo site). Até então, nós ainda não tínhamos observações, então os resultados que eu obtive foram baseados em simulações (os chamados catálogos mock).

Após o mestrado, acabei ficando no IFUSP para fazer o doutorado também, dessa vez tendo um foco maior em criar catálogos fotométricos de quasares (agora baseados em dados reais) e combiná-los com catálogos de galáxias para tentar mapear estruturas em uma época em que o Universo ainda era muito jovem (as chamadas estruturas em grandes escalas). Eu também ajudei a desenvolver um método de estimativa de redshifts fotométricos para quasares baseado na combinação das componentes principais do espectro de um quasar, o que permite obter as distâncias desses objetos com uma precisão de até ou inferior a 1% (dependendo do número de bandas e da largura delas).

Seguir uma carreira em física exige muita dedicação e tem muitas incertezas associadas, mas é igualmente muito recompensadora. Por exemplo, durante meu mestrado e doutorado, eu tive inúmeras oportunidades de visitar instituições renomadas (como a Universidade de Princeton e o Instituto Max Planck de Astrofísica) e de fazer dois estágios de pesquisa (um na Espanha e outro na França). E eu posso afirmar que é de uma grandeza absoluta conhecer pessoas de diferentes lugares do mundo que compartilham os mesmos interesses de pesquisa. Afinal, ciência se faz com boas colaborações.

É isso: espero que você tenha gostado de conhecer um pouco sobre a minha trajetória. Fique atento(a) para novos posts e lembre-se: ao olhar para o céu essa noite, mesmo que não consiga enxergar a olho nu, saiba que a radiação dos quasares está chegando até nós e trazendo com ela relíquias sobre a evolução do nosso Universo.

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