Apresentação pessoal: Caroline Macedo Guandalin

Publicado porCaroline Guandalin no dia 2020/03/19 às 20:45.

Olá navegante, eu sou a Carol, aluna de doutorado no Instituto de Física da USP. O meu orientador é o professor Raul Abramo, com quem tive o primeiro acesso à Cosmologia na física.

Tive a sorte de desde sempre estar em contato com a natureza, o que tornou mais fácil para mim observar o céu norturno. Eu vivia subindo no telhado da casa dos meus pais, durante à noite, para ficar vendo o céu (incrivelmente) estrelado do interior de São Paulo. Mas antes disso, tenho uma memória em particular que me levou à fascinação pelo o que está lá fora, bem além do nosso planeta: foi uma foto de um foguete em um dicionário antigo que temos em casa e, na página seguinte, havia o sistema solar e uma breve descrição dos planetas (Plutão ainda estava lá, forte na sua classificação como planeta). Aquilo me deixou impressionada e a imaginação sobre como era viver em outro planeta começou a fluir.

Depois de um tempo, comecei a assitir vários programas sobre o sistema solar, estrelas, galáxias e buracos negros, sempre fascinada por astronomia. Foi então que a minha tia me deu um livro de biologia antigo que ela usava, em contraste com as apostilas sempre fechadas no seu próprio conteúdo. Nesse livro, havia uma descrição da fotossíntese das plantas com base no efeito fotoelétrico. Mas o que é efeito fotoelétrico? Fui então à biblioteca municipal da cidade procurar algum livro que falasse sobre efeito fotoelétrico e, quando encontrei, havia um monte de integrais, havia um capítulo sobre Relatividade Restrita e conceitos de Mecânica Quântica. Eu precisava aprender essas coisas e entender sobre o que o livro estava falando.

Comecei a ir insistentemente atrás da física e cheguei até o livro do Stephen Hawking “Uma Breve História do Tempo” (que eu não entendi nada, mas sem dúvida fiquei fascinada por buracos negros). Eu já estava praticamente decidida a fazer física, com exceção da minha leve inclinação à música, e a pulga atrás da orelha em querer entender buracos negros bateu o martelo: prestei o vestibular para física.

Então entrei na USP e fiz alguns cursos na astronomia. Cheguei a fazer iniciação científica em duas áreas diferentes: física dos materiais e fenomenologia de física de partículas. A primeira me colocou em contato direto com a Mecânica Quântica. Já na última, estudando plasma de quarks e glúons, eu sempre puxava a discussão para o Universo primordial. Aí me dei conta de que eu entrei na física querendo estar em uma área próxima da astronomia e eu estava me afastando disso.

Resolvi fazer o curso de introdução à Cosmologia da graduação, que me colocou em contato com o Raul. Eu gostei tanto que fui bater na sua porta, já no fim da minha graduação, pedindo a oportunidade de fazer mestrado com ele. Felizmente, a resposta foi sim e eu cheguei até onde estou: escrevendo para vocês nessa página do LabCosmos.

Hoje, quando me perguntam o que eu faço, posso dizer com todo o entusiasmo que estudo como a distribuição de galáxias que vemos com os nossos telescópios pode nos dar informação sobre o Universo primordial, a sua evolução e nos ajuda a testar teorias físicas em escalas inimagináveis: coisas que estão tão longe e são tão grnades que nos fazem pensar sobre quão pequenos nós somos.

Em particular, tenho trabalhado com formas estatísticas que sejam boas o suficiente (nos retornem medidas com um erro bem pequeno) para extrair informação da distribuição de galáxias e com os efeitos que a física relativística (por exemplo, a Relatividade Geral) tem nessa distribuição.

Fecho esse post com um trecho do livro “Contato”, do Carl Sagan,

Por toda a existência da humanidade na Terra, o céu noturno havia sido uma companhia e inspiração. As estrelas eram reconfortantes. […] No mesmo momento em que os humanos descobriram a escala do Universo e viram que suas fantasias mais ilimitadas se tornaram insignificantes pela verdadeira dimensão até da Via Láctea, eles tomaram medidas para garantir que seus descendentes seriam absolutamente incapazes de ver as estrelas. Por milhões de anos os humanos tem crescido com o conhecimento diário da vastidão do céu. Nos últimos milhares de anos, eles tem construído e emigrado para as cidades. Nas últimas décadas, a maioria da população humana tem abandonado a vida rural. Com o desenvolvimento da tecnologia e a poluição das cidades, as noites foram se tornando desprovidas de estrelas. As novas gerações chegaram à maturidade completamente ignorantes ao céu que paralisou seus ancestrais e que estimulou as eras modernas da ciência e tecnologia. Sem nem perceber, assim que a astronomia entrou na sua era de ouro, a maioria das pessoas se distanciaram do céu em um isolamento cósmico que acabou somente com o alvorecer da exploração espacial.“,

e espero que se você também tem as estrelas como fonte de inspiração, não desista de tentar afastar as pessoas desse isolamento cósmico no qual vivemos: as ciências e a Cosmologia estão aqui para nos auxiliar nessa tarefa que é compreender o mundo ao nosso redor.

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