Missão Espacial Gaia: Terceiro “Data Release” - DR3

Texto de Ramachrisna Teixeira

Hoje, 13 de junho de 2022 a Agência Espacial Europeia e o Gaia “Data Processing and Analysis Consortium (Gaia DPAC)”, como das vezes anteriores, colocou nas mãos do mundo inteiro e ao mesmo tempo a segunda parte dos dados do seu terceiro “release”. Mais uma vez, uma revolução na base do conhecimento astronômico.
 
Astrônomos do mundo inteiro estão agora e passarão ainda muitos anos mergulhados nessa nova realidade com a qual, ontem ainda, mal sonhavam: um oceano riquíssimo de dados observacionais da mais alta qualidade.
 
Naturalmente, este terceiro “release”, agora completo, é mais preciso e mais rico que os anteriores, trazendo novos objetos e novas categorias de objetos. Pela primeira vez temos parâmetros morfológicos de galáxia e galáxias hospedeiras de quasares, soluções de sistemas estelares múltiplos não resolvidos, classificação espectral, “redshifts” e muitos outros dados observados ao longo de 34 meses entre 25/07/2014 e 28/05/2017.
 
O conteúdo estelar (foco principal dessa missão espacial) presente neste “release” compreende posições e magnitudes G para 1,8 bilhão de estrelas com limite superior em torno de 21 magnitudes e inferior em torno de 3 magnitudes. Para 1,5 bilhão desses objetos temos a astrometria completa (posição, paralaxe e movimento próprio), o brilho (G, BP e RP) e a cor. Entre elas, pouco mais de 800 mil binárias com posições, distâncias, órbitas e massas. Para quase meio bilhão dessas estrelas temos os parâmetros astrofísicos e para 33 milhões as velocidades radiais. Traz ainda, 10,5 milhões de fontes variáveis distribuídas em 24 categorias, entre elas 15 mil cefeidas e 270 mil RR Lyraes e um mapa 3D da distribuição de gás e poeira na Galáxia.
 
No que diz respeito ao Sistema Solar, temos a solução orbital para mais 156 mil corpos, incluindo as várias classes de asteroides, objetos transnetunianos, 31 satélites planetários e reflectância para mais de 60 mil deles.
 
Finalmente, uma outra grande novidade é o conteúdo extragaláctico deste release. São 1,9 milhão de quasares com posições, magnitudes e “redshifts”. Para 60 mil deles foram detectadas as galáxias hospedeiras e para 15 mil delas foram determinadas características morfológicas. Além disso, foram observadas 2,9 milhões de galáxias, e para 800 mil delas pudemos determinar o perfil de brilho e parâmetros morfológicos.
 
Enquanto os astrônomos do mundo todo estarão mergulhados nesses e nos dados anteriores, aqueles que compõem o DPAC darão sequência à preparação do quarto “release” (2024/25) com dados dos cinco anos de missão, inicialmente previstos, mais seis meses da extensão de dois anos já concedida. A missão será, muito provavelmente, estendida por mais três anos.
 
Bom trabalho a todos.
 
 
Ramachrisna Teixeira é professor associado do Departamento de Astronomia do IAG/USP e membro ativo do Gaia Data Processing and Analysis Consortium (DPAC).