Efeitos das condições ambientais nas doenças respiratórias em crianças menores de 2 anos na Grande São Paulo durante o período 2003-2006

 

Autor: 
Fernando José Mendez Gaona
Informações Gerais
Departamento: 
meteorologia
tipo: 
Doutorado
Data da Defesa: 
2017
Palavras-chave: 
Biometeorologia, chiado, poluição do ar
Orientadores
Orientador: 
Fabio Luiz Teixeira Gonçalves

O projeto visa um estudo da influência das condições ambientais (qualidade do ar externo, meteorologia, condições internas da casa) nas doenças respiratórias em crianças menores de dois anos na Grande São Paulo durante o período 2003 - 2006. Os dados de problemas respiratórios de crianças são correspondentes ao projeto CHIADO 2003-2006, coordenado pela Profa. Dra. Maria Regina Cardoso da FSP/USP.  Foi realizada uma descrição da quantidade de chiado por ano, identificação das casas com maior tendência ao desenvolvimento de chiado, correlação entre os dados do projeto CHIADO com dados de qualidade do ar da CESTESB obtidos através das estações automáticas e manuais, espalhadas por toda a RMSP durante o período de estudo. Igualmente foram coletados dados meteorológicos e foram determinadas as condições sinóticas do período estabelecido.

Metodologia: O trabalho foi dividido em duas partes primeira: Analise geral de dados: do projeto Chiado com dados do projeto Chiado fornecidos pela FSP USP, dados dos poluentes da CETESB para CO, MP10 e MP2.5, SO2, O3 e NO2, dados meteorológicos da estação meteorológica do IAG USP temperatura da ar, umidade relativa, pressão atmosférica, das condições internas das casas como temperatura, conforto térmico, e finalmente deposição de partículas a traves dos modelos Particulate dosimetry Model e o Modelo de deposição de partículas no trato respiratório . Na segunda parte foram realizadas 4 estudos de caso considerando: analises das condições sinóticas, de qualidade do ar e das doses depositadas para as datas correspondentes. . Com os dados do projeto CHIADO os quais têm as características construtivas das casas (classificadas em 12 tipos) foi analisado a temperatura interna das casas e as condições de conforto térmico com ajuda do programa Termicus que gera a temperatura interna horaria para cada mês do ano da casa. Na análise geral dos resultados foi determinada que o ano de 2005 representasse um ano com maior quantidade de chiado (13,3% acima da média) e que entre os meses de maio e outubro (um 61% dos casos foram registrados). A casa tipo 7 apresentou a maior quantidade de chiado (22% do total de casos) e entre as casas 2,7,9 e 11 (selecionadas para os estudos de caso) foi registrado mais de 71% do total de casos. A casa tipo 2, por outro lado, apresenta a maior possibilidade de chiado ( por ter materiais de qualidade mais baixa e confirmada pela análise estatística). Para o primeiro estudo de caso onde as casas tipo 7 e 11 apresentaram casos de chiado observa-se a presença de uma frente fria, com períodos onde o conforto térmico apresenta sensação de frio, e períodos onde o dióxido de nitrogênio apresentou concentrações acima do padrão e que a dose depositada no sistema respiratório sendo equivalente à literatura. Para o segundo estudo de caso só a casa tipo 7 apresento casos de chiado e tem-se a ultrapassagem do padrão para o material particulado grosso e níveis de doses depositadas maiores (neste caso a dose de partículas grossas também foi maior que as finas) e o dobro da encontrada na literatura, podendo estes resultados ser a causa deste excesso de casos de chiado. Para o terceiro estudo de caso as casas 7 e 9 apresentaram casos de chiado e se observa presença de uma frente fria, dias com condições de sensação de frio e ultrapassagem do padrão para o dióxido de nitrogênio e RDD também bastante elevado, tendo, portanto, múltiplas possíveis causas. E finalmente no quarto estudo de caso as casas 7 e 11 apresentaram os chiado, verifica-se a presença de uma frente fria atuante e forte, os parâmetros de qualidade do ar não apresentaram valores acima do padrão e a dose depositada no sistema respiratório foi a menor de todos os casos, sendo a explicação a variação meteorológica a possível explicação. Mesmo que as casa tipo 7, 9 e 11 não apresentassem o maior potencial ao chiado nem tivessem os piores materiais de construção (qualidade intermedia para o tipo 7 , boa para o tipo 9 e quase a melhor para o tipo 11) são as casas com maior frequência de chiado registrado indicando que o chiado não estaria associado principalmente as condições internas das casas mas sim às condições externas ( atuação de frentes frias, condições de qualidade do ar fora do padrão e níveis de deposição de partículas altos ). No entanto, as condições internas das casas per si estão associados aos câmbios térmicos ( ambiente externo e a casa) que geram porem situações de desconforto térmico, o qual a casa tipo 7 é um dos principais tipos construtivos com desconforto. 

AnexoTamanho
t_fernando_j_gaona_corrigida.pdf3.12 MB