Padrões de larga escala associados a eventos extremos de precipitação em São Paulo

 

Autor: 
Ana Cláudia Thomé Sena
Informações Gerais
Departamento: 
meteorologia
tipo: 
Mestrado
Data da Defesa: 
2016
Palavras-chave: 
Eventos Extremos, Precipitação, São Paulo
Orientadores
Orientador: 
Maria Assunção Faus da Silva Dias

Diversos estudos revelam uma tendência de aumento na frequência de eventos extremos, tornando cada vez mais importante a compreensão dos fatores associados ao seu desenvolvimento, a fim de auxiliar a previsão destes. Este trabalho visa determinar as situações atmosféricas associadas a eventos de precipitação extrema no estado de São Paulo durante o verão austral.
Para isto, foram usados dados diários de precipitação a fim de determinar os casos de eventos extremos a serem estudados e reanálises meteorológicas para a determinação da situação atmosférica associada a estes. Foram definidos como eventos extremos os casos de precipitação com acumulado diário maior do que 99% das chuvas registradas na região analisada.
O estado foi dividido em cinco grupos com regimes semelhantes de precipitação a partir da análise de agrupamento. Esta separação ressaltou a forte influência da topografia e das células de brisa marítima no clima da região. No entanto, os fatores de larga escala associados aos eventos extremos nos grupos são semelhantes e podem ser analisados em um único grupo sem perda de generalidade.
A análise da climatologia de eventos extremos no estado revela que entre os fatores atmosféricos associados a estes eventos durante o verão austral podemos citar: (i) a presença do jato em altos níveis localizado em torno de 30oS; (ii) a intensificação do índice de água precipitável sobre o estado nos três dias anteriores ao evento, sugerindo um aporte de umidade nesta região; (iii) a intensificação da curvatura das isolinhas de altura geopotencial em 500 hPa e a diminuição dos valores desta variável no estado de São Paulo nos dias que precedem o evento; (iv) vento de baixos níveis predominantemente de noroeste e norte sobre São Paulo; (v) a presença de um giro anticiclônico do vento em baixos níveis sobre a Argentina, que desloca-se para norte e intensifica-se nos dias que precedem o evento.
Foi realizada também uma análise de componentes principais para os casos de eventos extremos. Os padrões resultantes podem ser associados às características esperadas no estabelecimento da Zona de Convergência do Atlântico Sul (responsável por 35% da covariabilidade explicada) e de sistemas frontais (aproximadamente 15% da covariabilidade explicada).

AnexoTamanho
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