Simulações climáticas regionais para o CORDEX sobre a América do Sul e impactos das frentes frias na climatologia simulada

 

Autor: 
Eduardo Marcos de Jesus
Informações Gerais
Departamento: 
meteorologia
tipo: 
Mestrado
Data da Defesa: 
2014
Orientadores
Orientador: 
Rosmeri Porfírio da Rocha

Os sistemas frontais estão associados à bruscas mudanças de tempo e são responsáveis por modular a precipitação na maioria das áreas da América do Sul (AS). É objetivo neste trabalho investigar como o RegCM4 simula a atuação das frentes frias (FF) sobre a AS. A simulação com o RegCM4 foi iniciada e dirigida pela reanálise do ERA-Interim para o período 1979-2009. Como etapa inicial, realizou-se uma validação do RegCM4 através da análise do padrão espacial da precipitação e temperatura e também temporal da precipitação em alguns subdomínios. Em linhas gerais, a climatologia sazonal simulada pelo RegCM4 representa adequadamente padrões espaciais observados dos principais sistemas atuantes na América do Sul, mas apresenta subestimativa de temperatura  e precipitação na maior parte da AS ao longo do ano. Em seguida, aplicou-se um algoritmo para identificação das frentes frias (FF) nos dados diários observados e simulados em São Paulo (SP) e Rio Grande (RG), ambas na Bacia do Prata. As datas de passagem de FF foram utilizadas construir composições de campos espaciais Os resultados mostram que o RegCM4 subestima em aproximadamente 5% a contagem total de FF nas duas cidades. A subestimativa ocorre na maioria das estações do ano, exceto no inverno em que o modelo superestima (~ +7%) a frequência de FF em SP. A atuação das FF representam um volume grande de precipitação nestas cidades no inverno e primavera e então estas estações do ano foram escolhidas para análise. As composições mostraram que o RegCM4 simula os padrões associados as passagens de FF sobre SP e RG tanto em superfície como em outros níveis verticais da troposfera. A precipitação simulada pelo RegCM4 associada com as FF mostra padrões espaciais comparáveis aos observados, mas a intensidade da precipitação é subestimada no leste  (no nordeste da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul)  e  superestimada no oeste (Paraguai e norte da Argentina) da Bacia do Prata. As composições para FF de vários campos (vento, pressão, temperatura umidade específica e precipitação) também indicam que o RegCM4 simula evolução no tempo e padrões espaciais associados as passagens das FF muito semelhantes aos da ERA-Interim em todos os níveis verticais analisados. No entanto, o RegCM4 subestima a intensidade das anomalias e tende a deslocar as FF mais rapidamente para norte do que a Era-Interim. Estas diferenças, juntamente com deficiências na parametrização de convecção, podem explicar as subestimativas de chuva pelo RegCM4 no centro-leste da Bacia do Prata no inverno e primavera.

AnexoTamanho
d_eduardo_m_jesus_corrigida.pdf6.76 MB