Variabilidade atmosférica intrassazonal na Península Antártica

 

Autor: 
Nathalie Tissot Boiaski
Informações Gerais
Departamento: 
meteorologia
tipo: 
Doutorado
Data da Defesa: 
2013
Orientadores
Orientador: 
Leila Maria Vespoli de Carvalho

A Oscilação de Madden-Julian (MJO) é um dos principais modos de variabilidade atmosférica de baixa frequência nos trópicos e é conhecida como o modo dominante de variabilidade intrassazonal (aproximadamente 20-100 dias). A resposta extratropical da MJO manifesta-se como um trem de ondas propagando-se em latitudes médias e altas de ambos os hemisférios. No Hemisfério Sul (HS), há indícios de que este fenômeno climático esteja relacionado com a ocorrência de extremos intrassazonais de temperatura do ar e gelo marinho na região da Península Antártica. No entanto, a origem destes distúrbios intrassazonais e seu impacto sobre a circulação atmosférica na Península Antártica são pouco conhecidos. Esta região tem apresentado altas tendências de aquecimento, e os mecanismos que podem produzir flutuações de baixa frequência na temperatura são ainda desconhecidos. Este trabalho examina impactos da interação trópicos-extratrópicos (forçada e não forçada pela MJO) na circulação atmosférica e na temperatura da Península Antártica. Duas questões principais foram investigadas do ponto de vista observacional e com modelagem numérica regional, respectivamente: 1) Caracterização da resposta extratropical da MJO e sua propagação no HS; 2) O papel da MJO em produzir variações regionais na circulação atmosférica e na temperatura na região da Península Antártica. Para tal foram utilizados dados de reanálises do NCEP/NCAR e dados de estação na Península Antártica para diagnosticar e avaliar a dinâmica da interação entre trópicos e extratrópicos e impactos na temperatura e circulação extremas na Península Antártica. Além disso, examinaram-se as relações entre fluxos de momento e calor entre a troposfera e estratosfera durante a ocorrência de eventos extremos em escala intrassazonal. Mostrou-se que a MJO tem um papel significativo na variabilidade intrassazonal (IS) extrema na Península Antártica, mas não único. Cerca de 30% dos eventos IS de temperatura na Península Antártica não estiveram associados com a MJO e que parecem ter uma forte relação com variabilidade na estratosfera. Os aspectos numéricos deste estudo foram realizados com o modelo regional atmosférico BRAMS (Brazilian Regional Atmospheric Modeling System). O objetivo das simulações foi identificar mudanças regionais na circulação e temperatura durante a ocorrência de episódios previamente identificados como causadores de extremos na Península Antártica em escala intrassazonal em associação com a MJO e outro evento sem MJO. Os experimentos realizados mostraram que a rugosidade da superfície foi determinante no desempenho das simulações da velocidade do vento nos casos analisados na Península Antártica. O desempenho dos experimentos em simular a temperatura do ar naquela região dependeu das condições iniciais obtidas pelas reanálises. Outros estudos são necessários para entender os efeitos dos distúrbios IS sobre a circulação de mesoescala na Península Antártica e como esta interação entre escalas afeta os eventos extremos naquela região. A correta simulação desta interação permitirá diagnosticar-se e prever-se o clima e suas mudanças de modo acurado e realista.

AnexoTamanho
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