CONCEPÇÕES ANTIGAS SOBRE A ESTRUTURA DO MUNDO 

Ao observarem o céu, os antigos estudiosos procuraram teorias que pudessem explicar a estrutura do mundo que viam. Até 1609, todas as observações astronômicas eram feitas a olho nu, já que não havia telescópios. Assim, tudo o que se sabia sobre o Universo, chamado de Mundo, era pouco e era obtido de forma pouco precisa.

Apesar dessa falta de instrumental observacional e baseados apenas nas cerca de 6 mil estrelas visíveis a olho nu, nos 5 planetas visíveis a olho nu, na Lua e no Sol, os Astrônomos anteriores a 1609 procuraram elaborar teorias que explicassem os fatos observados. Dessas teorias surgiram os Modelos de Sistemas do Mundo. Para Aristóteles, a Terra era esférica e estava fixa no centro do mundo. Aristarco achava que o Sol deveria estar no centro do mundo e tudo girava em torno dele, inclusive a Terra. Pode-se considerar Aristarco como sendo o iniciador da Astronomia Científica, e isso, muito antes de as bases do método científico terem sido sistematizadas por Galileu.

De maneira geral, todas as teorias da estrutura do mundo se basearam em uma das duas hipóteses: o geocentrismo e o heliocentrismo. Algumas poucas teorias admitiam dois centros diferentes ao mesmo tempo: alguns astros girariam em torno do Sol e outros em torno da Terra.

Sistema Geocêntrico

O movimento diário aparente da esfera celeste levou a humanidade à mais lógica das conclusões : a Terra estava no centro do Mundo, e todos os astros giravam em torno dela. A essa estrututa, com a Terra no centro, dá-se o nome de Sistema Geocêntrico. Sabemos hoje, que esse sistema não é verdadeiro.

  Na falta de conhecimentos científicos melhores, essa era a teoria mais aceita na antiguidade. Ela se baseava não só em dados observacionais disponíveis, mas também em dogmas religiosos que supunham o homem como sendo o rei das criaturas existentes e, poe isso, deveria ocupar o centro do Mundo. O modelo do Mundo Geocêntrico supunha a Terra fixa e tudo o mais girando em redor dela: a Lua, o Sol, os 5 planetas e as estrelas.  

A ordem de colocação desses astros foi estabelecida supondo-se que quanto mais tempo o astro levava para dar uma volta em torno da Terra, mais distante ele deveria estar do centro. Com os conhecimentos da época, essa ordem era: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e, finalmente, a esfera das estrelas “fixas”. Os planetas Urano, Netuno e Plutão não tinham ainda sido descobertos por não serem visíveis a olho nu.  

Sistema Híbrido de Heráclides

Desde muito cedo os antigos astrônomos já haviam notado que os planetas Mercúrio e Vênus possuiam uma particularidade que os diferenciava dos demais planetas: os dois nunca eram observáveis longe do Sol: ou ficavam visíveis por pouco tempo após o ocaso do Sol ou apareciam por pouco tempo antes do nascer do Sol, e sempre nas imediações do Sol.

Para explicar esse fato, Heráclides (388 a .C. - 315 a .C.) propôs um sistema híbrido:  o Sol, Marte, Júpiter e Saturno giravam em torno da Terra, os planetas Mercúrio e Vênus giravam em torno do Sol. Assim, havia dois centros: a Terra e o Sol. Apesar de ser uma teoria Geocêntrica, pelo menos parte do Mundo giraria em torno do Sol e não da Terra, daí o nome de Híbrida. Apesar de essa teoria ser mais precisa que as teorias geocêntricas anteriores, ela não foi muito usada.  

Sistema Geocêntrico de Ptolomeu

Entre os anos 127 e 151 o astrônomo grego Cláudio Ptolomeu sugeriu uma nova estrutura para explicar a morfologia do Universo: essa disposição recebeu o nome de Sistema Geocêntrico de Ptolomeu. O Sol e os planetas Marte, Júpiter e Saturno giravam em torno da Terra. Para explicar a constante proximidade aparente de Mercúrio e Vênus ao Sol, ele admitiu que havia uma ponte entre a Terra e o Sol e que os dois planetas giravam em epiciclos centrados nessa ponte. Cada planeta e o Sol giravam, cada qual, em torno de um centro hipotético e esse centro girava em torno da Terra. A órbita de cada astro em torno do centro hipotético recebeu o nome de epiciclo e a órbita do centro hipotético em torno da Terra recebeu o nome de Deferente.  

Com o aparecimento de novos e mais precisos instrumentos astronômicos, a determinação observacional dos astros pode ser feita com precisões cada vez melhores. Muitas vezes as observações não coincidiam com as previsões feitas por meio das teorias existentes sobre os movimentos dos astros. Para melhorar as teorias, passou-se a usar  e abusar dos conceitos de deferentes e de epiciclos: os astros, em si, não girariam diretamente em torno da Terra, mas sim em torno de pontos hipotéticos, que, por sua vez, girariam em torno da Terra. A órbita desses centros virtuais em torno da Terra se chamava de deferente e a órbita dos planetas em torno dos centros hipotéticos foi chamada de epiciclo. Pelo século XVII, para poder explicar o movimento dos astros conhecidos por meio da teoria dos epiciclos, era necessário um complexo de cerca de 200 epiciclos.

 

Sistema Heliocêntrico de Copérnico

Para facilitar a representação da estrutura do Mundo aceita por volta do século XVI, em 1543, o polonês Nicolau Copérnico publica a obra “Revolução dos Corpos Celetes”, na qual propõe o Sol como centro do Sistema Solar, estrututra essa que recebeu o nome de Sistema Heliocêntrico ; o Sol seria fixo, e os planetas girariam em movimento circular uniforme em torno desse centro, exceto a Lua, que giraria em torno da Terra, que por sua vez giraria em torno do Sol, todos no mesmo sentido direto de oeste para leste.

  Apesar de essa idéia se contrapor aos ensinamentos da Igreja Católica da época, esse modelo permitia explicar diversos fenômenos que não podiam ser explicados pelas diferentes teorias geocêntricas, entre eles o movimento irregular dos planetas no céu. Por ser uma teoria herética aos olhos da igreja, ela foi muito combatida, mas suas sementes tinham sido lançadas e com o passar do tempo ela foi se firmando. Notar que a ordem de colocação dos planetas a partir do Sol seguiu a mesma sistemática usada no sistema geocêntrico : quanto mais lento parecesse o movimento do planeta entre as estrelas tanto mais distante estaria do Sol.

  Uma prova que foi muito importante para negar o geocentrismo foi a descoberta, por Galileu Galilei, em 16l0, do movimento dos satélites de Júpiter em torno de Júpiter e não da Terra, como postularia a teoria geocêntrica. Com o tempo, para ajustar a teoria com as observações, reintroduziu-se o sistema de epiciclos e deferentes. Muitos epiciclos passaram a ser deferentes de outros epiciclos, criando uma estrutura bastante complexa par o mundo observado. Fosse qual fosse a teoria adotada, até o início do século XVII as órbitas dos astros eram consideradas circulares.

  Foi com Kepler que a hipótese da forma das órbitas foi reformulada. Ele propôs órbitas elípticas para os planetas. Essa é a forma que mais se aproxima da realidade atualmente conhecida. Com o advento dos instrumentos de observação do céu, hoje sabemos que o Sol é o centro do Sistema Solar, mas não do Universo.