A ASTENOSFERA

A astenosfera é a camada que se situa logo abaixo da litosfera. Como sua temperatura é mais elevada, possui menor rigidez sofrendo deformação quando sujeita a esforços. A rigidez da astenosfera é tal que ela pode ser considerada como um fluido  viscoso para longos períodos (tempo geológico, milhões a bilhões de anos) e como um sólido elástico para curtos intervalos de tempo, como por exemplo, para a passagem das ondas sísmicas (minutos a segundos).

A astenosfera é a camada que possui comportamento viscoso de modo a permitir compensação isostática. Sua viscosidade varia entre 1021 e 1023 P (P - poise é uma unidade de medida de viscosidade; a viscosidade da água é de 0,01 P). Sob a litosfera oceânica, o topo da astenosfera é caracterizado pela ocorrência da zona de baixa velocidade, onde há uma redução entre 3 e 6% na velocidade das ondas P e S, sendo que esta última sofre também considerável atenuação.

A zona de baixa velocidade é resultado do processo de fusão parcial entre 0,1 e 6% no manto, enquanto que a astenosfera é originada pelo arrasto (creep) no estado sólido. Entretanto, como estes processos são mais eficientes quando próximos da temperatura de fusão, as profundidades onde eles atuam são quase iguais.

Uma evidência de que a astenosfera e a zona de baixa velocidade são unidades independentes é verificada em algumas áreas de escudo continental, onde  ocorrem compensações isostáticas (indicando a existência da astenosfera) mas não é observada a existência de uma região com baixa velocidade das ondas sísmicas. A zona de baixa velocidade não ocorre em algumas áreas de escudo antigas devido ao baixo gradiente geotérmico existente nessas regiões.

A base da astenosfera situa-se a uma profundidade de aproximadamente 700 km (hipocentro do terremoto mais profundo).

Informações cedidas por Leila Soares Marques (leila@iag.usp.br)