IAG dois mil e vintes: um olhar sobre as experiências da nossa comunidade

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As aulas presenciais de toda a Universidade de São Paulo foram suspensas no dia 17 de março de 2020. Nos dias que se seguiram, todo o IAG se organizou para passar a funcionar em regime especial de teletrabalho. E, nos meses que se seguiram, nossas práticas foram desafiadas para que tudo continuasse funcionando, de uma forma ou de outra.
 
A ideia para esta série de entrevistas surgiu em dezembro de 2020 como uma forma de registrar essas ações e adaptações do IAG durante seu ano mais atípico. E, como tantas ideias de 2020, esta aqui quase ficou para trás. Mas o novo ano trouxe (além de uma nova onda de hospitalizações por Covid-19) um calendário de entrevistas – realizadas com distanciamento social, é claro. Foram dez conversas até agora, e cada uma revelou uma visão diferente sobre o ano que acabou, mas que ainda não foi embora.
 
Para alguns, a correria das adaptações fizeram o primeiro semestre ser mais cansativo. Para outros, a estadia cada vez mais prolongada em isolamento fez do segundo semestre um desafio ainda maior. O escritório em casa poderia ser um espaço de tranquilidade e de concentração, e também poderia ser um espaço multifuncional que abrigava toda uma família e as mais diversas necessidades que nela surgiam.
 
Mas, com todas as suas individualidades, são também histórias que se conectam. O Prof. Ricardo Trindade contou sobre a adaptação do Laboratório de Paleomagnetismo da USP (USPMag). Enquanto o Laboratório estava fechado, a equipe se organizou para adiantar todas as estratégias. “Nós nos preparamos desde muito cedo, porque temos vários alunos que dependiam das análises de laboratório para continuarem pesquisando”, explicou o professor. “Uma vez que pudemos voltar ao Laboratório, já estava tudo pronto.”
 
Foi a preparação do USPMag que possibilitou aos estudantes da Profa. Andrea Ustra darem continuidade a suas pesquisas. Mas a pesquisa não depende apenas de laboratórios. A Profa. Andrea, afinal, precisou adaptar todo o seu planejamento profissional para acompanhar a alfabetização de sua filha em pleno ano de pandemia. “Em termos quantitativos, eu não fui o que imaginava. Mas eu enviei um artigo que eu achei bom, e isso importa”, avaliou.
 
O filho pequeno de Mirian Sawada, Assistente Técnico Acadêmico do IAG, ainda não estava em idade de alfabetização, e sim descobrindo “uma palavra nova a cada dia”. Mesmo assim, foi preciso ficar sempre com um olho nas brincadeiras do Theo, e o outro olho nas novas normas USP que possibilitaram as atividades a distância.
 
Uma das adaptações mais visíveis foi a realização de defesas de teses e dissertações em bancas totalmente a distância. Só no IAG, foram mais de 40 defesas entre os nossos quatro programas de Pós-Graduação. A Profa. Yara Marangoni, presidente da Comissão de Pós-Graduação do IAG, atribui o sucesso do formato à agilidade da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP e ao apoio do Serviço de Multimeios e Materiais Didáticos do IAG no gerenciamento das ferramentas de videoconferência e de transmissão. “Muitas pessoas que de início estavam se sentindo desconfortáveis em fazer a defesa online depois começaram a fazer sem problemas”, explicou a professora, “porque as pessoas perceberam que ela fluía muito bem”.
 
Outras adaptações foram menos fluidas. Para o Prof. Eder Molina, os ingressantes tiveram grandes dificuldades de comunicação em meio às novas regras estabelecidas para trancamento e exclusão de disciplinas. “Sem a pandemia, elas teriam sido resolvidas em minutos com uma conversa”, lamentou.
Assim como o Prof. Eder, a Profa. Jane Gregorio-Hetem e o Prof. Ricardo de Camargo começaram 2020 acompanhando de perto os ingressantes de nossos cursos de graduação, tentando diminuir as distâncias. Na receita do Prof. Ricardo de Camargo estavam suas “piadas sem graça” e muita ajuda dos monitores. Para a Profa. Jane, as histórias vão desde a anedota sobre um tablet emprestado até a criação de um projeto de extensão que fortaleceu o espírito de equipe.
 
O corpo discente também tem as suas histórias. Júlia Mello de Oliveira, aluna da Astronomia, encontrou nas atividades de divulgação científica (em três projetos diferentes!) a motivação para enfrentar as suas próprias dificuldades. “Uma atividade na qual as pessoas dependiam de mim me deu bastante alegria e muito incentivo para continuar fazendo também as coisas que eram para mim”, explicou.
 
Para Janaína Anjos Melo, 2020 foi um ano de conquistas: sua pesquisa de Iniciação Científica foi selecionada para a etapa internacional do 28º SIICUSP (prevista para março deste ano), e ela acaba de concluir sua graduação em Geofísica. Janaína destaca a importância de ter um plano e não deixar de trabalhar. “Se você fica sem nada para fazer, acaba tendo muita ansiedade com o futuro”, resume.
 
Como falamos lá no começo, o espírito de 2020 ainda não foi embora. E como falamos no começo, 2021 chegou com uma nova onda de internações. Mas, com a vacina no horizonte, já estamos sonhando em passar pela catraca do IAG e mostrar para os futuros ingressantes que o nosso prédio é maior por dentro.
E, quando for a hora, o IAG estará pronto. Com divisórias de acrílico, com dispensers de álcool gel e com muita gente que não deixou de ir até o Instituto durante todo o ano de 2020 para que tudo continuasse funcionando muito bem – como Lázaro Valério e todo mundo que estivesse na agenda telefônica dele.
 
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