Janaina Anjos Melo: “Se você fica sem nada para fazer, acaba tendo muita ansiedade com o futuro”

selo decorativoJanaina Anjos Melo apresentou seu Trabalho de Graduação em dezembro e completou os créditos para se formar no bacharelado em Geofísica do IAG/USP. O trabalho de pesquisa da Janaina é muito elogiado, e ela foi uma das indicadas do IAG para a etapa internacional do SIICUSP. Tivemos uma conversa muito alto astral na segunda semana de 2021 sobre a importância de organizar o tempo e de ter muita calma com os imprevistos.
 
 
As conversas desta série sempre começam com esta pergunta: como você está?
Eu estou bem. Eu moro sozinha, mas meus pais sempre estavam presentes. Também sempre mantive contato com meus amigos.
 
Em seu último ano do curso de Geofísica, você teve aulas online. Como foi essa experiência?
Eu tive apenas duas matérias no primeiro semestre, uma do [Instituto de Geociências] e uma da Geofísica. E os professores começaram a gravar vídeos logo no início da pandemia. O Prof. [Vinicius Hector Abud] Louro, da Geologia, preparou vários vídeos no Google Classroom, então as aulas continuaram normalmente. O Prof. Maurício [Bologna] também preparou as aulas com antecedência, e foi muito bom. Não tive problemas de comunicação, ou problemas com a internet durante a aula.
No segundo semestre eu não tive aulas [como estudante], mas eu estava com uma monitoria.
 
Como você compara a atividade de monitoria no formato presencial e agora no formato remoto?
No primeiro semestre eu tinha feito a monitoria de Inversão de Dados Geofísicos, com o Prof. [Carlos] Mendonça. Como precisa de muita programação, fica complicado ter o feedback dos alunos e saber se eles estão entendendo bem. Alguns alunos ficam com um pouco de vergonha e não querem falar muito. No segundo semestre, fiz a monitoria de Métodos de Campo em Geofísica. É uma disciplina que geralmente tem viagem de campo, então esperamos que depois da pandemia, com a vacina, possamos fazer essa viagem. Os professores tiveram que se adaptar, e usaram plataformas digitais em que você visualiza lugares diferentes e faz análise geológica de diversos afloramentos, por exemplo. São coisas que eu nem sabia que existiam, e foi bem interessante. Acho que, por esse lado, a quarentena trouxe novidades muito agregadoras.
 
Você disse que estava com poucas aulas, mas tinha a pesquisa de Iniciação Científica, que você usou para o seu Trabalho de Graduação (TG). Você teve alguma dificuldade para fazer pesquisas? Você teve acesso aos materiais e dados de que precisava?
Em relação à Iniciação Científica, eu já tinha praticamente terminado a pesquisa no começo de 2020. Como eu tenho um coorientador no Instituto Oceanográfico, o Prof. Luigi [Jovane], existia a possibilidade de retornar à área para obter mais amostras, e com a pandemia isso não foi [possível].
Mas isso não interferiria  na minha pesquisa, seria apenas um acréscimo. Eu segui o curso da pesquisa com os dados [obtidos em 2017], e dei continuidade ao meu Trabalho de Graduação.
Eu não tenho muito do que reclamar nesse sentido, porque todo meu foco e minha dedicação foram para escrever o meu Trabalho de Graduação. Minha principal dificuldade, especialmente no começo, foi equilibrar o meu tempo de estudo e o meu tempo de lazer. Eu ficava muito tempo escrevendo, e aprendi que preciso de um tempo de descanso para que seja uma atividade prazerosa. Isso eu aprendi com o passar do tempo.
E como eu passo muito tempo no computador, lendo e programando, meu olho estava ficando irritado. Eu fui ao oftalmologista e ele me recomendou descanso, massagens e compressas. Foi a época em que eu mais estava escrevendo, e minha mãe me ajudou a ter essa calma. Eu fui me acostumando com essa nova realidade.
 
Eu acompanhei a transmissão do Simpósio de Iniciação Científica e percebi que existia muito carinho entre os colegas, com muitas mensagens no chat. Como vocês mantiveram essa proximidade durante o isolamento?
Conversando. Nós nos reunimos [virtualmente], com uma chamada online, ou para jogar alguma coisa. Foi o que eu fiz no meu aniversário, por exemplo, como eu não pude chamar as pessoas aqui em casa.
 
Você foi uma das poucas alunas do bacharelado em Geofísica que concluíram o curso em 2020. Como foi quando você percebeu que iria se formar ainda na pandemia?
No meio do ano eu já estava escrevendo o TG. Quando eu iniciei no meio do ano a disciplina de Trabalho de Graduação II, tudo pareceu se concretizar melhor. Foi quando eu percebi que era a etapa final, que iria mesmo acontecer.
 
Janaina Anjos Melo realiza apresentação como representante discente da Comissão de Defesa da Diversidade, Direitos Humanos e Democracia do IAG
Janaina Anjos Melo realiza apresentação como representante discente da Comissão de Defesa da Diversidade, Direitos Humanos e Democracia do IAG
 
Você apresentou seu Trabalho de Graduação em formato online. Como foi essa experiência?
Quando é presencial, a sua postura é muito importante. Não é só a fala, mas a forma como você se porta, os seus gestos. Na apresentação online, o destaque fica mais para a apresentação e para a sua fala. Isso facilitou um pouco para mim.
 
Algumas pessoas tiveram dificuldade por não conseguirem ver as reações dos avaliadores durante a apresentação.
Eu não pensei muito nisso (risos). Uma coisa muito boa da [disciplina] TG II foi que eu fiz várias apresentações. E eu marquei uma apresentação de teste com um pessoal, com meus orientadores e amigos, antes da minha apresentação final. Eu acho que isso me ajudou bastante. Porque no início é um pouco estranho, mas eu fui me acostumando.
 
Um dos muitos aspectos negativos da pandemia é que não vamos conseguir fazer uma cerimônia de colação de grau para vocês.
Eu queria tanto, meus pais  também… nem mesmo online?
 
Ainda não pensamos em um formato. Estamos abertos a ideias, se você tiver. Mas você pretende fazer alguma comemoração virtual?
[Na defesa do] TG, eu comemorei com os meus pais, e recebi muitas mensagens. Eu estava esperando para [saber como seria] uma cerimônia, mas eu vi que as aulas começam em abril, e não serão presenciais. Talvez eu faça sim uma comemoração online.
 
Com a graduação concluída, quais são os seus planos para 2021?
Eu estou me preparando para a Pós-Graduação, e quero também fazer cursos preparatórios para realizar a prova do exame de proficiência em inglês. Estes são os meus planos, a princípio.
 
Você é uma pessoa muito positiva. Tem alguma dica para compartilhar?
Eu não sei como teria sido se eu tivesse muitas matérias para cumprir, por exemplo. Eu converso com os meus amigos do IAG, da Poli e da Geologia e o processo das disciplinas online foi muito diferente.
Eu acho que eu fiquei mais tranquila porque só faltava o TG para mim. Se você fica sem nada para fazer, acaba tendo muita ansiedade com o futuro. Mas eu já sabia que no meu último ano [da faculdade] só faltaria o TG, e era nele que eu focaria. Isso me ajudou muito.
Minha mãe sempre me falava para adiantar o que eu pudesse, porque sempre tem algum imprevisto. E a pandemia foi um imprevisto.
 
 
 

 

Esta entrevista faz parte de uma série de conversas com membros da comunidade IAG para refletir sobre o ano de 2020 e os efeitos da pandemia em nossas atividades. Alguns trechos foram editados, para maior clareza. Leia todas as entrevistas no nosso especial no site do IAG.
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