Mirian Sawada: “Meu filho participa de várias reuniões”

selo decorativoMirian Megumi Sawada Nunes é Assistente Técnico Acadêmico do IAG, secretariando as comissões centrais e coordenando no IAG as ações administrativas envolvidas no tripé universitário – ensino, pesquisa e extensão universitária. Nossa conversa, realizada na primeira semana de 2021, contou com a participação especial de seu filho pequeno e tratou das adaptações do IAG para a manutenção das atividades acadêmicas durante o isolamento.
 
 
Desde março do ano passado, estamos em regime de teletrabalho na USP . E você tem um filho pequeno, que também tem ficado em casa desde o início da pandemia. Como está sendo para organizar essa rotina e o seu home office compartilhado?
Essa parte de ter o home office como um espaço comum [com meu marido] não foi tão ruim para nós, porque dessa forma conseguimos dividir a tarefa de olhar [o nosso filho]. Às vezes [o meu marido] está em reunião, às vezes eu estou em reunião, e vamos revezando. Meu filho participa de várias reuniões.
Algumas reuniões coincidem, e o ruído fica bem grande, mas no geral facilitou bastante essa questão. Eu acho que deu certo por isso, por nós dois estarmos trabalhando de casa. Nós não temos outra pessoa para nos ajudar, mas pudemos fazer esse revezamento.
Não foi fácil, até porque estamos em casa, cuidando da casa. Nós tentamos organizar uma rotina, para dividir as tarefas e para não ficarmos perdidos. Acho que o mais difícil no home office em quarentena é que parece que nunca deixamos o escritório, então foi muito importante limitar os horários de trabalho (até porque o serviço nunca acaba) e reservar um tempo para atividades de lazer, ainda que dentro de casa, que nos ajudaram muito para manter a saúde física e mental.
 
Dentro dos setores acadêmicos, você tem outras pessoas que estão em situação parecida, com crianças pequenas.
Sim, está sendo uma correria para várias pessoas. Para mim, essa parte mais pedagógica não pesou tanto, pela idade do Theo. Se ele estivesse [no início da alfabetização], com certeza teria sido mais difícil. Tem dias que ele exige bastante de nós, querendo atenção, ficar no colo. Nesses dias não tem jeito, acabamos tendo que fazer um horário alternativo de expediente. Apesar do desafio, foi muito gratificante ter tido a oportunidade de acompanhá-lo de perto neste ano, pois está numa fase de aprendizados básicos. É uma palavra nova a cada dia, uma “gracinha” nova. É muito bom. 
 
Junto com essa adaptação em casa, a primeira urgência que tivemos quando a USP suspendeu as aulas presenciais foi resolver como seriam as atividades acadêmicas a distância. Muitas coisas que ainda não estavam em funcionamento precisaram ser rapidamente regulamentadas. Você precisou intermediar as normas que chegavam dos órgãos centrais para os professores e estudantes do IAG?
Como o IAG é um instituto pequeno, não senti tantas dificuldades [na comunicação]. Os órgãos centrais tratavam com as representações do Instituto, isto é, as comissões, que transmitem diretamente para os docentes. Para a Assistência [Acadêmica] chegaram os casos que não estavam claros, mas os órgãos centrais deram um suporte muito grande, o que permitiu a continuidade das atividades. Foi o caso da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, que deu total apoio para as defesas a distância e permitiu a prorrogação de prazos.
 
Você lidera os serviços acadêmicos no IAG. Como você manteve a comunicação com as suas equipes no teletrabalho?
O contato era diário, mas individual. Fizemos reuniões individuais conforme a demanda, especialmente com as lideranças de cada área. E sempre atenta a e-mail, telefone e WhatsApp. Hoje eu sinto que poderíamos ter feito algumas coisas diferentes. 
 
Outro serviço que está na Assistência Acadêmica é o Multimeios. Eu conversei com alguns professores que elogiaram profusamente o apoio que eles receberam.
Sem dúvida. Eu converso com outras Assistências, e percebo que nem todas as unidades têm esse tipo de apoio, que foi certamente fundamental para a condução das atividades. O Serviço de Multimeios é sempre muito bem lembrado nas reuniões [do IAG].
 
Mas é uma área muito técnica, que exige certa estrutura. Como isso funcionou no teletrabalho?
Orientamos não só o Multimeios como todos os funcionários da área, sobre a possibilidade de empréstimo [de equipamentos], e cada um se adaptou da melhor forma. [Um dos técnicos] montou uma sala com alguns equipamentos emprestados do IAG para conseguir trabalhar melhor de casa.
 
Muitas mudanças que estavam sendo consideradas pela Universidade tiveram que virar realidade em 2020 por conta da pandemia e do teletrabalho. Você acha que algumas delas serão mantidas mesmo após o fim deste período?
A minha expectativa é que continuem sim, porque tivemos mais agilidade nos processos e isso facilitou bastante – por exemplo, o envio de documentação para análise de outras instâncias. A Procuradoria Geral também abriu um sistema, e a resposta deles está sendo muito rápida. A comunicação entre todas as instâncias está mais ágil, e eu espero que isso continue. 
Quanto às defesas [de teses e dissertações], a princípio este formato a distância seria permitido apenas durante a quarentena. Mas dado o resultado tão satisfatório, a expectativa é que também possa ser realizado dessa forma no futuro, considerando também que houve uma economia financeira.
E tem os cursos de extensão, que tiveram abrangência maior de público. Vimos isso em toda a USP, em outras unidades. O público não fica mais restrito à cidade de São Paulo, o que é muito interessante.
 
Os cursos online chamaram muito a atenção na USP e dentro do próprio IAG. O Instituto já está pensando na estrutura técnica para atender essa demanda?
Esse parece ser o futuro, para onde estamos caminhando. O aprendizado [para desenvolver atividades a distância] foi muito grande em um espaço tão curto de tempo, e limitado às ferramentas disponíveis no momento. Então espero que esteja nos planos [do Instituto] o investimento em estrutura e tecnologias para que possamos expandir nesta área.
 
Você também era um dos pontos de contato para os alunos nessa questão de estrutura para as aulas. O IAG recebeu muitas solicitações?
Pelas informações que eu recebi, foi baixa a procura por empréstimo de equipamentos no Instituto. Em alguns casos os docentes mais próximos já se mobilizaram, disponibilizando seus próprios equipamentos aos alunos. Em torno de 15 estudantes de graduação relataram ter dificuldades ou nenhum acesso à internet, em um universo de cerca 300. A Reitoria providenciou kits para acesso à internet para estes casos, que também foram disponibilizados para alunos de pós-graduação. Os Representantes Discentes comentam que os colegas não leem os emails, que é nossa principal forma de contato com eles, e de fato, nesse levantamento com os alunos de graduação a quantidade de respostas não chegou a 50% do total. Então o problema pode ser falta de conhecimento, ou nem ter como se informar. Mas todos os que indicaram alguma necessidade foram atendidos, na medida do possível.
 
E o atendimento aos alunos que não são do IAG, mas que puderam utilizar a estrutura do Instituto?
Recebemos um pedido da Superintendência de Assistência Social da USP para disponibilizar espaço para os moradores do Crusp, para eles estudarem. De início, a demanda foi bastante grande, e eu recebi cerca de 30 contatos de interesse. Metade deles frequentaram o Instituto. Mas isso foi diminuindo, à medida que as pessoas foram se adaptando, e que os órgãos centrais começaram a disponibilizar equipamentos. Acho que a USP demorou um pouco para se adaptar, talvez pela burocracia, mas aparentemente conseguiram resolver [uma parte]. No final do ano, havia apenas um aluno do Crusp frequentando [o IAG].
 
Para finalizar, acha que alguma adaptação na sua área foi positiva?
Eu vejo que algumas pessoas têm restrição com uso de processos digitais, que é uma coisa que eu sempre incentivei, em termos de sustentabilidade e agilidade. Temos muitas ferramentas disponíveis, e em 2020 todos tivemos que nos adaptar.
 
 
 
 

 

Esta entrevista faz parte de uma série de conversas com membros da comunidade IAG para refletir sobre o ano de 2020 e os efeitos da pandemia em nossas atividades. Alguns trechos foram editados, para maior clareza. Leia todas as entrevistas no nosso especial no site do IAG.
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