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Doutorado: “Teleconexões entre o ENSO e o gelo marinho antártico usando wavelets 3D em regiões clusterizadas”

Data

Horário de início

14:00

Local

Sala de Aula P 209, Prédio Principal - IAG/USP

Defesa de tese de Doutorado
Estudante: Marie Fernanda Massarico Cardoso
Programa: Meteorologia
Título: "Teleconexões entre o ENSO e o gelo marinho antártico usando wavelets 3D em regiões clusterizadas"

Orientador: Prof. Dr. Ricardo de Camargo

 

Comissão Julgadora:

  1. Prof. Dr. Ricardo de Camargo - IAG/USP (Presidente e Orientador)
  2. Profa. Dra. Rosmerí Porfírio da Rocha - IAG/USP
  3. Prof. Dr. Luciano Ponzi Pezzi - OBT/INPE (videoconferência)
  4. Prof. Dr. Francisco Eliseu Aquino - UFRGS (videoconferência)
  5. Profa. Dra. Camila Bertoletti Carpenedo - UFPR (videoconferência)

 

Membros suplentes:

  1. Profa. Dra. Natália Pillar da Silva - IAG/USP
  2. Prof. Dr. Pedro Leite da Silva Dias - IAG/USP
  3. Prof. Dr. Ronald Buss de Souza - CPTEC/INPE
  4. Profa. Dra. Ana Cristina Pinto de Almeida Palmeira - IGeo/UFRJ
  5. Profa. Dra. Claudia Klose Parise - UFMA

 

Resumo: 

A heterogeneidade espacial da variabilidade do gelo marinho antártico e sua modulação por modos de variabilidade climática de grande escala constituem elementos centrais para a compreensão da dinâmica climática do Hemisfério Sul. Este trabalho teve como objetivo caracterizar objetivamente a estrutura espaço-temporal da variabilidade do gelo marinho antártico e investigar a intensidade, escala e não-estacionariedade das teleconexões entre o El Niño-Oscilação Sul e as concentrações de gelo em diferentes setores do Oceano Austral. Utilizaram-se séries diárias de concentração de gelo derivadas de sensores de micro-ondas passivas (1978-2023) e quatro índices de ENSO representativos de diferentes regiões do Pacífico equatorial (1982-2022). A regionalização baseou-se em técnicas de agrupamento hierárquico e não-hierárquico aplicadas a 37 características estatísticas, identificando 19 sub-regiões homogêneas segundo múltiplos critérios de variabilidade. A análise tempo-frequência empregou transformada wavelet contínua, transformada cruzada wavelet e coerência wavelet para quantificar covariabilidade, potência compartilhada e relações de fase em bandas espectrais de escala intermensal a interdecadal. Os resultados demonstram que o setor Bellingshausen-Amundsen constitui núcleo de resposta à forçante remota do ENSO, com coerência interanual superior a 0,80, relações de anti-fase defasadas (aproximadamente +120 graus) persistentes ao longo de quatro décadas, e até 38% da variância interanual explicada por índices do Pacífico central-oeste. Distribuições bimodais pronunciadas neste setor indicam alternância entre regimes de concentração modulados pela fase do ENSO através do padrão Pacific-South American e anomalias na Baixa de Amundsen. O acoplamento opera simultaneamente via forçante atmosférico direto — advecção meridional de calor sensível — e modulação oceânica indireta — intrusões de Água Circumpolar Profunda sobre plataformas continentais. A intensificação progressiva da coerência de cerca de 0,65 (1982-1992) para cerca de 0,75 (2012-2022) indica não-estacionariedade da teleconexão, potencialmente associada a mudanças de longo prazo no sistema oceano-atmosfera polar. A persistência de coerência elevada em bandas intradecadal e interdecadal revela papel da memória oceânica subsuperficial na manutenção de anomalias além da escala de eventos individuais. Estes resultados fornecem base quantitativa para identificação de setores de resposta rápida, mecanismos de persistência e priorização de sistemas de previsibilidade climática sazonal a interanual em regiões polares.

Palavras-chave: Gelo marinho antártico, Teleconexões, ENSO, wavelet, Análise de cluster